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O influenciador político de extrema esquerda Hasan Piker foi recentemente entrevistado em um programa satírico na internet — e os vídeos resultantes foram hilários.
“Ora, Karl Marx disse: ‘A cada um segundo as suas necessidades’. Você mora numa casa de 2,7 milhões de dólares”, disse o apresentador. “Por que as suas necessidades são mais importantes do que as de 90% dos outros californianos?”
Piker pareceu desconfortável ao responder — e não foi por estar vestido com um terno completo no estilo de Mao Tsé-Tung.
Resumindo, ostentar com orgulho o uniforme de um regime que tirou a vida de cerca de 80 milhões de pessoas, enquanto desfruta da prosperidade de uma casa de 2,7 milhões de dólares e de convites para festas do Oscar, não pega bem.
Mas, entre os Estados socialistas que Piker considera favoráveis, a antiga Iugoslávia está, sem dúvida, entre os melhores exemplos. Ele chegou a publicar um vídeo intitulado “A Iugoslávia era incrível!”, no qual elogiava diversos aspectos do antigo país socialista, incluindo seu padrão de vida.
Essa ideia pode parecer ridícula para sobreviventes como Slavenka Drakulić — literalmente.
Em 1992, ela publicou seu livro Como Sobrevivemos ao Comunismo e Até Rimos, que reúne histórias do cotidiano sob o comunismo na Europa Oriental. Embora Piker possa ignorar os números apresentados nos livros didáticos sobre as mortes causadas pelo comunismo, talvez esteja menos familiarizado com um de seus efeitos quase invisíveis: a sutil erosão da dignidade humana, da esperança e da responsabilidade pessoal.
O livro de Drakulić examina essas histórias de perto, começando com um relato sobre a vida de sua amiga Tanja. Após a morte de seu amante e a destruição de sua reputação jornalística por criticar moderadamente a nacionalização, Tanja cometeu suicídio.
Para aqueles que viviam sob o regime socialista, a falta de esperança no futuro era uma característica marcante da vida. Todos ao redor de Drakulić pareciam presumir que o Estado comunista permaneceria para sempre.
“O que o comunismo nos incutiu foi precisamente essa imobilidade”, escreveu ela. “A ausência de um futuro, a ausência de um sonho, da possibilidade de imaginarmos as nossas vidas de forma diferente.”
Para Tanja, essa perda de esperança provou ser fatal.
Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto, escreveu sobre um efeito semelhante em seu famoso livro Em Busca de Sentido.
Com base em sua experiência em um campo de concentração, Frankl concluiu que os indivíduos que conseguiam perseverar preservavam um elemento crucial para a vida: a esperança. Mesmo em condições bárbaras, ela permitia que os prisioneiros mantivessem a dignidade e a vontade de viver.
Vidas comuns — não apenas as de dissidentes políticos — foram esmagadas sob o peso dos regimes socialistas
“Não eram grandes heróis, prisioneiros políticos ou dissidentes”, escreveu Drakulić, “mas sim pessoas que simplesmente não aguentavam mais”.
Em uma sociedade na qual o poder estatal está concentrado, os cidadãos perdem cada vez mais a sensação de que têm um papel a desempenhar na construção do futuro — e isso tem um efeito devastador não apenas sobre a esperança, mas também sobre a responsabilidade individual.
O lixo, portanto, espalhava-se por toda parte. Drakulić escreveu que os cidadãos, tendo perdido o senso de autonomia, comportavam-se como se “o espaço público não pertencesse a ninguém”. Ela prosseguiu: “Se você não consegue destruir o sistema, certamente pode destruir uma cabine telefônica, uma máquina de bilhetes ou as flores de um parque. Nesta guerra silenciosa, os perdedores são as nossas cidades.”
A frustração com o sistema encontrava expressão em pequenos atos de negligência. A deterioração física da paisagem urbana refletia uma população esvaziada por dentro.
O comunismo é economicamente insustentável — como demonstra o fracasso da URSS e de seus Estados-satélites. Mas seu custo espiritual é ainda mais profundo. Forçar os seres humanos a viver na pobreza, sob o temor do olhar onipresente do Estado, mina a confiança, a liberdade e a criatividade; mina a própria alma humana. Devemos atentar para a advertência de Drakulić sobre o custo espiritual, e não meramente econômico, do coletivismo.
Como ela afirmou na década de 1990: “Podemos ter sobrevivido ao comunismo, mas não o superamos”. Isso porque o comunismo é muito mais do que uma ideologia econômica — ele se infiltra na própria mente e na alma dos indivíduos forçados a viver sob seu regime.
Liana Graham é assistente de pesquisa em Políticas Domésticas na Heritage Foundation.
Ashley Reese é membro do Programa de Jovens Líderes da Heritage Foundation.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Socialism Isn’t Just Deadly—It’s Soul-Crushing



