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Editorial

Inflação dentro do limite da meta é mérito do Banco Central

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Em foto de 2023, Gabriel Galípolo (à época secretário-executivo do Ministério da Fazenda, hoje presidente do Banco Central) e Fernando Haddad, ministro da Fazenda. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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O IPCA de dezembro de 2025 acelerou na comparação com novembro, terminando em 0,33% contra 0,18% no mês anterior. No entanto, como a inflação de dezembro de 2024 tinha sido ainda maior (0,52%), o acumulado de 12 meses caiu 0,2 ponto porcentual e o IPCA fechou o ano passado em 4,26%, abaixo do limite máximo de tolerância (erroneamente chamado de “teto da meta”) estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional – a meta é de 3%, com 1,5 ponto porcentual de tolerância para cima ou para baixo. Será a primeira vez neste terceiro mandato Lula que o presidente do Banco Central não precisará enviar ao ministro da Fazenda uma carta explicando por que a inflação não ficou dentro da banda estabelecida pelo CMN.

Mas, se quisesse enviar algo a Fernando Haddad, Gabriel Galípolo poderia simplesmente dizer “nós fizemos tudo; vocês só atrapalharam”. Se há algum responsável por “puxar” para dentro da banda de tolerância uma inflação que passou quase todo o ano de 2025 acima do limite máximo considerado aceitável (chegando a 5,53% no acumulado de 12 meses até abril), foi o Banco Central, com sua política monetária contracionista. Ao jogar os juros para cima, o BC tentou desaquecer a economia, freando ao menos um pouco o crédito e a demanda. E isso só foi necessário porque o governo adotou uma política fiscal extremamente irresponsável, estimulando o consumo das famílias e do governo para impulsionar o crescimento econômico. Em outras palavras, se o BC não tivesse jogado água fria em um motor superaquecido, a inflação teria sido muito maior.

A “política econômica séria” que puxou o IPCA para dentro do limite máximo de tolerância não foi a política fiscal de Lula, mas a política monetária do BC

Isso não impediu Lula de tentar capitalizar em cima de um IPCA que, se dependesse apenas dele, estaria fora de controle. “Há um ano, o mercado dizia que íamos fechar 2025 com inflação de 5%, fora da meta. Hoje, o IBGE confirma que os pessimistas estavam errados: encerramos o ano com IPCA de 4,26%, o menor índice desde 2018 e dentro da meta estabelecida para nossa economia. Esse dado confirma: teremos em quatro anos a menor inflação acumulada da história. Resultado de uma política econômica séria, que faz o Brasil crescer, distribuir renda e considera, em primeiro lugar, o bem-estar do povo brasileiro”, escreveu em seus perfis nas mídias sociais. Só faltou dizer que a “política econômica séria” não foi a sua política fiscal, mas a política monetária do BC.

Este ano será especialmente desafiador porque, em busca da reeleição, Lula promete colocar o pé no acelerador do gasto público, com “pacotes de bondades” que devem ampliar programas sociais já existentes e acrescentar outros à lista – o governo flerta, por exemplo, com um plano de tarifa zero no transporte coletivo. “Se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, afirmou o presidente na última reunião ministerial de 2025: o velho terraplanismo econômico lulista que acredita na geração espontânea de dinheiro público custará muito caro ao país, em termos de endividamento, elevação de impostos ou emissão de moeda – o caminho mais curto para a volta da inflação.

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De todas as mazelas socioeconômicas, as duas que mais trazem sofrimento aos mais pobres são o desemprego (por razões óbvias) e a inflação, que destrói o poder de compra e contra a qual o melhor remédio são contas públicas em ordem. Como não é essa a escolha de Lula, cabe ao Banco Central oferecer o tratamento amargo, mas indispensável, para que a inflação não escape do controle. O “menor índice desde 2018”, para usar as palavras do presidente da República, só foi possível porque o Banco Central fez a coisa certa e contrariou a gritaria petista por juros insustentavelmente baixos, e que foram parte da receita que levou o Brasil à grande crise de 2015-16.

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