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Cabos eleitorais como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, continuam se esforçando para pintar um Lula fiscalmente responsável em um eventual quarto mandato, mas pelo jeito precisam combinar com o chefe. Em 12 de setembro, durante comício em Curitiba, Lula disse que “para gerar emprego, a economia tem de crescer e, para economia crescer, o governo tem de investir e, para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos”. Lula repete, assim, seu eterno desprezo pela disciplina fiscal e seu apreço pelo déficit público – o que não surpreende quem se lembra de outras declarações do petista, para quem um pouco mais de déficit não tem importância, um pouco mais de inflação não é problema, e os livros de Economia estão superados.
Esse terraplanismo econômico já foi derrubado pela teoria e pela história dos países que cresceram e melhoraram a vida de sua população; afinal, nenhum governante atual sério e responsável compartilha das lamentáveis teorias lulistas. Lula chegou ao poder, em 2002, prometendo respeito aos contratos e à prudência fiscal, ou seja, controle dos gastos e equilíbrio das contas públicas, mas a promessa da “Carta aos Brasileiros” durou pouco. Com a entrada de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, foram lançadas as bases da “nova matriz econômica” movida a gasto desenfreado, e o superávit ganhou de vez o status de “babaquice”: após um auge nos anos do “PIBão”, motivado por uma economia superaquecida e pela grande demanda externa por commodities brasileiras, o resultado primário foi piorando ano após ano, até se transformar em déficit em 2014.
Lula promete investimento e crescimento, mas o caminho traçado por ele só consegue entregar inflação e juros, comprometendo o presente e o futuro do país
Só em 2022, último ano de Jair Bolsonaro, o país voltou a ter superávit, consolidando um ajuste fiscal prejudicado pela pandemia de Covid-19. Mas bastou Lula botar novamente os pés no Planalto para a conta voltar ao vermelho, onde está até agora. Ou seja, embora seja a corrupção que ganhe mais destaque nas manchetes jornalísticas, a irresponsabilidade fiscal é outra marca permanente dos governos petistas, a ponto de Dilma Rousseff ter perdido o mandato pela manipulação das contas públicas, as “pedaladas fiscais”.
Chamar de “babaquice” o esforço por manter as contas em ordem é ignorar o básico. Se o governo gasta mais do que arrecada sistematicamente, há somente três vias pelas quais os déficits podem ser pagos: aumento de tributos, aumento da dívida do governo ou emissão de dinheiro. Lula promete investimento e crescimento, mas o caminho traçado por ele só consegue entregar inflação e juros, comprometendo o presente e o futuro do país. Se o Brasil escolher este caminho, dando um quarto mandato a Lula, o destino do país estará traçado: viver como um pária entre o grupo das nações que prezam as liberdades individuais e econômicas, firmando-se como uma nação atrasada, pobre, com elevada dívida pública e descolada das relações com os países desenvolvidos e suas tecnologias modernas.
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Seis mandatos presidenciais do PT, com seu desprezo pelo saber e pela lógica, inclusive a econômica, significarão uma geração inteira vivendo sob um tempo de obscurantismo. Prudência financeira e controle das contas públicas, como meio de evitar déficits que acabam levando a aumento da dívida do governo, são a norma entre os governantes responsáveis, respaldada pelo saber econômico acumulado ao longo dos séculos. A declaração disparatada de Lula a respeito da “babaquice de fazer superávit” não é apenas irresponsável; ela contribui para aumentar a ignorância em matéria de gestão pública e condução da política econômica, e não pode ser levada a sério por quem quer ver o país crescer e avançar.



