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O município de Foz do Iguaçu (PR) fechou 2025 com registros que foram considerados históricos de redução da dengue, marcando um ano praticamente livre do “fantasma” da doença, após epidemias severas nos anos anteriores. Historicamente endêmica para dengue, a cidade localizada na tríplice fronteira com Paraguai e Argentina começa o ano em alerta para a doença, indicando que a vigilância e as ações de prevenção precisam continuar fortes para não repetir ciclos de surto que ocorreram no passado.
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Houve um contraste no ano passado em relação aos casos de dengue enfrentados até então em Foz do Iguaçu, cidade sob altas temperaturas: 1.031 casos confirmados, uma redução superior a 90% em comparação com 2024, quando os diagnósticos da doença passaram de 14 mil. O resultado é atribuído a esforços integrados entre poder público municipal e estadual e parceiros como Fiocruz e Itaipu Binacional.
O ano de 2023 foi considerado de surto grave, com mais de 50 mil notificações e 26 mil casos confirmados de dengue em Foz do Iguaçu, além de dezenas de óbitos e centenas de casos de chikungunya. A prefeitura atribui ações de eliminação de criadouros, por meio de mutirões de limpeza, como causa da diminuição da doença.
Especialistas também apontam outros fatores: método chamado "wolbachia" e imunidade da população a determinados sorotipos da doença. O método "wolbachia" é uma tecnologia que utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria chamada Wolbachia, que impede que o vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolva dentro do inseto.
Biofábrica libera mosquitos em bairros estratégicos de Foz
A biofábrica instalada na cidade produz esses mosquitos, chamados de “wolbitos”, que são liberados em bairros estratégicos. Eles se reproduzem com a população local de mosquitos, e gradualmente a bactéria Wolbachia se espalha, o que tornaria a maior parte da população de mosquitos incapaz de transmitir o vírus. Entre 2024 e 2025 foram soltos mais de 26 milhões destes mosquitos do bem em 13 bairros da cidade.
A dengue é causada por um vírus que possui quatro sorotipos geneticamente distintos, conhecidos como DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Cada sorotipo pode causar desde infecções leves até formas graves da doença, e a infecção por um deles confere imunidade permanente apenas contra aquele mesmo sorotipo — não contra os outros.
Isso significa que é possível contrair dengue até quatro vezes na vida, uma por cada tipo, e infecções subsequentes por sorotipos diferentes podem aumentar o risco de formas mais graves da doença. O sorotipo DENV-3, em particular, é frequentemente associado a quadros mais severos e tem sido motivo de preocupação nos últimos anos.
Esse sorotipo é o que preocupa neste ano: está em circulação no Paraná, com casos confirmados no estado. A última vez que esse sorotipo havia circulado de forma predominante no Brasil foi antes de 2008, e no Paraná, especificamente, em 2016.
Imunização da população-alvo ficou aquém por falta de procura
Nas primeiras semanas deste ano epidemiológico, Foz do Iguaçu registrou (até 27 de janeiro) 284 casos — destes, 197 prováveis, aguardando confirmação, segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde. Fatores sazonais típicos do verão — temperaturas elevadas e chuvas frequentes — favorecem a reprodução do Aedes aegypti, reforçando a necessidade de manter as ações de vigilância, eliminação de criadouros e conscientização da população.
As vacinas contra a doença estão disponíveis para a população de 10 a 14 anos, mas a Secretaria de Saúde não conseguiu imunizar a população-alvo por falta de procura de pais e responsáveis. “Anualmente, o município registra uma quantidade considerável de casos, que em algumas situações resultam em óbitos. A vacina é uma estratégia importante para a proteção da comunidade, contribuindo não apenas para a prevenção da infecção, mas também para a redução das complicações associadas à doença”, explicou a supervisora técnica da Vigilância Epidemiológica de Foz do Iguaçu, Érica Ferreira de Souza.
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