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Produção industrial

Gigante de móveis corta ociosidade e redefine a eficiência sem gastar com novas máquinas

Produção de móveis residenciais cresce 27% no Paraná após otimização de processos; setor atende o varejo nacional e exporta para mais de 50 países.
Produção de móveis residenciais cresce 27% no Paraná após otimização de processos; setor atende ao varejo nacional e exporta para mais de 50 países. (Foto: Franciele Constantino/Caemmun)

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A engenharia de processos destravou o principal gargalo produtivo da Caemmun, fabricante de móveis residenciais instalada em Arapongas, o maior polo moveleiro do Paraná. Por meio de metodologias de manufatura enxuta (lean manufacturing), a empresa aumentou a produtividade do setor de furação em 27% e reduziu em 41% o tempo de máquina parada para a troca de lotes. Os ganhos ocorreram em apenas quatro meses, sem investimentos na compra de novos equipamentos.

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As furadeiras industriais estruturais representavam o ponto crítico da fábrica. Essas máquinas de grande porte fazem dezenas de furos simultâneos em poucos segundos devido a um sistema de cabeçotes pesados, mandris e brocas de metal alinhadas.

O processo tem como resultado a precisão necessária para a montagem dos móveis, mas a variedade de modelos exigia paradas frequentes para o chamado setup — o ajuste da posição do maquinário para o lote seguinte. O gerente de engenharia de produtos da Caemmun, Fernando Conceição, explica que o indicador de sucesso do projeto mede o ganho de capacidade desse maquinário, e não o volume final de móveis produzidos, já que a produção diária oscila conforme o tamanho dos lotes.

"Dimensionamos o resultado no tempo que a fábrica economizou em relação ao período que se perdia durante a preparação. Quando a empresa ganha esse tempo, ela fura mais peças e entrega mais produtos", ressalta o engenheiro.

Uso de mapas ilustrativos no chão de fábrica organiza a troca de lotes e eleva a produtividade do maquinário pesado em 27%.Uso de mapas ilustrativos no chão de fábrica organiza a troca de lotes e eleva a produtividade do maquinário pesado em 27%. (Foto: Franciele Constantino/Caemmun)

Indústria aplica mapa de regulagem e acelera troca de ferramentas

Antes da mudança, o operador realizava a regulagem com base no plano de furação tradicional da engenharia de produto. De acordo com o gerente de engenharia da empresa, a tarefa consumia tempo excessivo com a seleção de brocas, ajustes de diâmetro e fixação nos mandris, o que limitava a capacidade total da linha fabril.

Para reverter o cenário, a indústria aplicou a metodologia de Troca Rápida de Ferramentas (TRF). A equipe substituiu o documento antigo pelo "mapa de regulagem", um guia ilustrativo que indica a quantidade, o tamanho e a posição exata das ferramentas para cada peça. A nova dinâmica organizou o chão de fábrica e permitiu a preparação dos insumos antes mesmo da parada da máquina.

A divisão de tarefas no chão de fábrica determinou o sucesso do projeto na linha de produção. A metodologia otimizou a rotina dos trabalhadores por meio da aplicação do conceito de setup externo, no qual um auxiliar antecipa a preparação das ferramentas enquanto a máquina ainda opera.

"O ganho reside na simplicidade que o operador e o auxiliar encontram para realizar o setup. Uma pessoa colabora com o operador, divide a carga de trabalho e antecipa o processo. Isso não significa que o funcionário trabalha menos, mas que o processo se torna mais rápido", afirma Conceição.

Preparação antecipada de ferramentas reduz em 41% o tempo de máquina parada e acelera a furação de peças para a montagem dos móveis.Preparação antecipada de ferramentas reduz em 41% o tempo de máquina parada e acelera a furação de peças para a montagem dos móveis. (Foto: Franciele Constantino/Caemmun)

Empresa estende metodologia para outras linhas e reduz desperdício de insumos

O gerente de engenharia de produção pondera que a iniciativa desenvolvida na Caemmun foca exclusivamente na eficiência operacional e na eliminação da ociosidade, sem impacto direto na qualidade técnica final do móvel, que depende de critérios de tolerância e conferências específicas. O projeto-piloto ocorreu no setor de furadeiras estruturais, devido ao diagnóstico que apontava a área como o ponto crítico da unidade.

A eficiência na troca de ferramentas eliminou a ociosidade do setor. Diante dos resultados, a Caemmun estendeu a metodologia para outras linhas da fábrica e otimizou o parque de máquinas atual.

Além do ganho financeiro, a otimização do chão de fábrica impacta na segurança e na sustentabilidade da operação. De acordo com Conceição, a padronização dos processos reduz o desgaste físico dos operadores no manuseio do maquinário pesado e diminui o desperdício de painéis de madeira processada (MDP), insumo proveniente das florestas plantadas da própria empresa.

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Parceria entre indústria e Senai elimina gargalos operacionais e otimiza rotina de operários

A estratégia de revisar processos sem aportar capital em novos maquinários foi aplicada pela Caemmun depois de uma consultoria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Segundo o coordenador de Otimização de Manufatura e Eficiência Energética do Senai, Ivan Aécio Bernardo Martins, o destravamento desse gargalo na furação ilustra como a engenharia de processos gera fôlego financeiro e operacional.

"O caso demonstra algo frequente nas indústrias paranaenses: o maior potencial de crescimento não está na aquisição de novas máquinas, mas na melhor utilização dos recursos já disponíveis", afirma Martins. O coordenador também explica que o bom resultado é fruto do comprometimento da empresa em promover mudanças e em buscar a expertise técnica do Senai para identificar gargalos, eliminar desperdícios e estruturar melhorias.

Além do indicador estatístico de eficiência, o método alterou a rotina e as condições de ergonomia no pavilhão fabril. O coordenador de produção, Marcos Paulo Rezende, relata que a divisão entre a preparação e a execução aliviou o desgaste e a pressão sobre o operador de maquinário pesado.

O caso demonstra algo frequente nas indústrias paranaenses: o maior potencial de crescimento não está na aquisição de novas máquinas, mas na melhor utilização dos recursos disponíveis.

Ivan Martins, coordenador de Otimização de Manufatura e Eficiência Energética do Senai

"Contar com um profissional dedicado exclusivamente à preparação antecipa o processo, eleva a produtividade e alivia a carga de trabalho no chão de fábrica, devido a esse suporte adicional", pontua Rezende.

Fabricante mantém unidades no PR e integra cadeia com florestas próprias certificadas

Fundada em março de 1990, a Caemmun Movelaria integra o Grupo Munhoz Caetano e opera no polo de Arapongas. A fabricante mantém duas unidades fabris no Paraná, localizadas em Arapongas e em Sabáudia, que somam 60 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 265 mil metros quadrados. O parque industrial abriga cerca de 500 colaboradores diretos.

A empresa abastece redes de varejo e lojistas com uma linha de móveis seriados e modulados para o mercado nacional. No comércio exterior, a indústria exporta cerca de 25% da produção anual para mais de 50 países e mantém um centro de distribuição na Flórida, nos Estados Unidos.

Indústria utiliza madeira de florestas plantadas e detém o EcoSelo Diamante, que atesta o manejo florestal responsável.Indústria utiliza madeira de florestas plantadas e detém o EcoSelo Diamante, que atesta o manejo florestal responsável. (Foto: Gustavo Cavalcante/Caemmun)

Para suprir a demanda por matéria-prima e integrar a cadeia produtiva, o grupo administra a Caemmun Reflorestamento, braço agrícola que gerencia fazendas de plantio de eucalipto e pinus na região de suas sedes. A operação detém o EcoSelo na categoria "Diamante".

O certificado atesta o manejo florestal responsável e assegura o uso de madeira proveniente exclusivamente de florestas plantadas, além de processos que atenuam o impacto ambiental.

Polo de Arapongas movimenta R$ 5 bilhões e lidera setor no Paraná

O município de Arapongas detém o título de "Capital Moveleira Nacional", conferido pela Lei Federal nº 14.728/2023. A cidade concentra a maior força do segmento no Paraná e se posiciona entre as principais referências do país. O município abriga cerca de 330 indústrias moveleiras.

Quando a contabilidade inclui a região de influência, composta por 42 cidades, o polo moveleiro ultrapassa 1 mil unidades produtivas, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Peças produzidas no Paraná abastecem o varejo nacional e chegam a mais de 50 países.Peças produzidas no Paraná abastecem o varejo nacional e chegam a mais de 50 países. (Foto: Anderson Silvente/Caemmun)

O setor moveleiro da região movimentou cerca de R$ 5 bilhões em 2024, segundo dados mais recentes disponíveis, o que representa uma alta de 12% em comparação com o ano anterior. Esse montante equivale a quase 10% do PIB nacional do segmento de móveis.

No comércio exterior, as indústrias do município respondem por aproximadamente 10% de todas as exportações brasileiras de móveis. Para sustentar esse volume de produção, a cadeia produtiva local utiliza os painéis de MDP como base principal. O material compõe 80% das peças fabricadas no polo regional.

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