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Ponte da Amizade entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Ponte da Amizade entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, na fronteira entre Brasil e Paraguai.| Foto: Kiko Sierich/Arquivo/Gazeta do Povo

Já há mais de 200 empresas do Brasil produzindo no Paraguai, boa parte delas do Paraná. Elas são dos mais variados ramos e setores, incluindo desde indústria de biotecnologia até lojas de aparelhos celulares.

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Mas o país vizinho quer mais. A atração de empreendedores brasileiros, que vem acontecendo nas últimas décadas, ganha um reforço estratégico agora e o Paraná é um dos principais alvos.

Representantes do governo e do setor empresarial paraguaio estiveram na última semana em missão comercial em Curitiba. Foram recebidos pelo Centro Internacional de Negócios, da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), com quem realizaram o Seminário de Investimentos Paraná-Paraguai.

“O empresário brasileiro é muito bem-vindo em nosso país. O governo paraguaio vai cuidar de vocês. No Paraguai é fácil fazer negócio. Temos previsibilidade, não mudamos as leis”, disse Carlos Paredes Astigarraga, diretor de Indústria e Comércio do Banco Central do Paraguai.

O representante do Paraguai destacou a inflação controlada, a garantia de estabilidade de preços, o sistema tributário simplificado e uma legislação trabalhista amigável como diferenciais. “Temos um sindicato não para brigar, mas para melhorar as condições dos trabalhadores”, frisou.

Astigarra ressaltou também a infraestrutura, citando a energia elétrica como abundante e barata e o transporte fluvial, com a terceira maior frota de barcaças do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.

Importação de matéria-prima sem imposto

O que mais atrai os empresários para produzir no Paraguai é a Lei Maquila. Criada em 1997 e regulamentada em 2000, a lei isenta bens de capital e matérias-primas de imposto de importação, bem como isenta de impostos os serviços e mão de obra utilizados no processo de produção. Isso torna o custo de produção no país extremamente mais barato em comparação ao Brasil, por exemplo.

As atratividades do país vizinho foram decisivas para o empresário Valdinei Silva, de Cascavel, no Oeste do Paraná, instalar a Always Medical, fabricante de suplemento alimentar, em território paraguaio. “O Paraguai dá boas condições pra gente trabalhar, a tributação é muito simplificada”, disse ao apresentar o seu caso de sucesso no Seminário de Investimentos Paraná-Paraguai.

Ele instalou o laboratório no Paraguai há seis anos, com um aporte inicial de US$ 3 milhões. “Hoje já somamos US$ 5 milhões investidos e vamos investir mais”, informou. “As regras para abertura de empresas e para aprovação de projetos são muito simplificadas”, observou o empresário.

A Always Medical produz no Paraguai e exporta para a América Latina, Europa, Estados Unidos e países árabes. O laboratório, instalado em Ciudad del Este, emprega 40 funcionários, dos quais 34 são paraguaios e apenas 6 brasileiros. “A legislação trabalhista paraguaia é menos burocrática e mais barata”, destacou Silva.

É muito mais barato contratar no Paraguai do que no Brasil

“Enquanto no Brasil, o salário que eu pago para um funcionário me custa o dobro, no Paraguai esse custo é de apenas 16,5%”, observou o empresário Jorbel Jacson Griebeler, dono da Cellshop, uma loja de departamentos instalada em Ciudad del Este. Natural de Planalto, no Sudoeste do Paraná, Griebeler optou pelo Paraguai pela oportunidade. “Trabalho com importados e no Brasil, por causa dos impostos, esta atividade é muito cara”, pontuou. Além do custo trabalhista menor, ele citou a energia elétrica, cerca de 50% mais barata do que no Brasil.

A Cellshop, que começou como uma pequena revenda de aparelhos celulares há 15 anos, hoje se transformou numa loja de departamentos de 7 mil metros quadrados que vende 200 mil itens entre equipamentos eletrônicos, perfumes, bebidas, roupas, brinquedos e artigos para pesca e camping. A empresa mantém 600 funcionários.

Para o empresário, no Brasil o negócio seria inviável. “O alto custo no Brasil inviabiliza o empreendedorismo e essa é uma das maiores causas do desemprego no país”, opinou.

O paranaense Gilberto Hubert é proprietário da Bio X, instalada no Paraguai. A empresa, da área de biotecnologia, produz leveduras usadas na agricultura, na fabricação de ração animal e na indústria alimentícia. Para ele, pela capacidade energética, o Paraguai pode ser uma alternativa para empresas brasileiras complementarem sua produção ou até mesmo para a produção total.

“É uma saída também para fugir da excessiva tributação do Brasil, especialmente da mão de obra”. Hubert atua no Paraguai há 13 anos, onde mantém 70 funcionários e produz insumos que exporta para o Brasil e para o Uruguai.

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