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Supremo

Advogado de Tagliaferro revela mandado de prisão oculto e defende prisão de Moraes

Paulo Faria diz que defesa não tomou ciência do documento, que não consta em registros públicos.
Paulo Faria diz que defesa não tomou ciência do documento, que não consta em registros públicos. (Foto: LR Moreira/TSE)

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O advogado Paulo Faria, que defende o perito Eduardo Tagliaferro, defendeu a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pela ausência de registros públicos do mandado de prisão contra seu cliente.

A reportagem consultou o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), que não retorna resultados ao nome de Tagliaferro. O advogado diz que o documento só consta no pedido de extradição ao governo italiano, o que indicaria sua criação apenas para este fim.

"Eles fizeram este documento, é o que tudo indica. Este documento não consta nos autos, a defesa não tomou conhecimento, não existe publicação nenhuma de prisão preventiva decretada", revelou, em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, concedida nesta quarta-feira (26).

Defesa comunicará à embaixada italiana

Com isso, Faria redigiu um ofício de 42 páginas para pedir a preservação da cadeia de custódia dos materiais, com o intuito de embasar a responsabilização do magistrado. O advogado acredita que o documento "tramitou internamente" e revela que os códigos de acesso a ele não validam sua autenticidade.

Outra providência a ser tomada é a comunicação à embaixada italiana em Brasília, para que o governo do país europeu leve o episódio em consideração no julgamento da extradição.

O mandado de prisão teria sido emitido em 31 de julho de 2025. As fichas de tramitação, no entanto, não mostram nenhuma decisão nesse sentido, e os relatórios de outras decisões também não mencionam a medida.

Para Faria, as atitudes de Moraes "demonstram claramente que ele age à sombras, à margem da lei" e que é "literalmente um marginal", devendo ser punido.

Episódio pode impactar caso Zambelli e relação Brasil-Itália

O advogado argumenta que a revelação pode colaborar para um desfecho favorável também à ex-deputada federal Carla Zambelli. A Corte Suprema de Cassação de Roma barrou em definitivo a retirada do país pelo caso envolvendo o mandado falso de prisão contra Moraes. Para os julgadores, o ministro não poderia atuar no caso, por ser sido a suposta vítima.

Ainda há porém, outro processo em aberto. A mesma Corte mandou voltar ao estágio anterior, na Corte de Apelação de Roma, o pedido do governo brasileiro relacionado à perseguição armada a um eleitor às vésperas do segundo turno, em 2022.

Para além disso, Faria vê riscos à manutenção do tratado de extradição entre os dois países, ratificado pelo Brasil em 1993.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete de Alexandre de Moraes. O espaço segue aberto para manifestação.

Veja a entrevista na íntegra

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