
Ouça este conteúdo
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o hospital, na tarde desta quarta-feira (7), após passar por exames para avaliar seu estado de saúde após ter caído na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-mandatário, afirmou que os exames apontaram uma lesão que caracteriza traumatismo craniano leve.
"Em relação aos exames feitos hoje, observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando um traumatismo craniano leve", disse Caiado a jornalistas.
O médico destacou que, no momento, a hipótese de crise convulsiva foi descartada. Além disso, não foram detectadas lesões intracranianas. Segundo ele, Bolsonaro pode não ter caído da cama, pois teria tentado caminhar e caiu.
VEJA TAMBÉM:
“Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto. Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa”, apontou.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que a família ainda não sabe o exato momento em que o ex-presidente sofreu o acidente. Ela relatou que Bolsonaro toma um medicamento que o deixa “muito sonolento”.
“Eu pedi o relatório para a Polícia Federal. Eu gostaria de saber exatamente o momento em que foi aberto o quarto dele. A gente sabe que o quarto é aberto às 8h para ele tomar a primeira medicação do dia”, ressaltou Michelle.
Ela voltou a criticar a falta de “agilidade” da PF para atendê-lo. De acordo com a ex-primeira-dama, Bolsonaro não se recorda de ter apertado a campainha que tem no quarto para chamar os agentes da PF. Michelle disse ainda que foi proibida de acompanhar o marido durante os exames.
Bolsonaro foi atendido pela equipe médica de plantão na PF por volta das 9h desta terça-feira (6). A defesa solicitou a transferência do ex-presidente para a realização de exames, mas o ministro Alexandre de Moraes considerou que não havia "nenhuma necessidade de remoção imediata".
O ministro exigiu um relatório da PF sobre o atendimento prestado a Bolsonaro e a indicação dos exames pelos advogados. As duas respostas foram encaminhadas ao STF na tarde de terça. No entanto, Moraes só autorizou a ida do ex-presidente ao hospital na manhã desta quarta.
Questionado se considera que Moraes demorou a decidir de forma proposital, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o “que está nos autos não é o que acontece na vida real”. Ao determinar o cumprimento da pena, o ministro garantiu que o ex-presidente teria uma equipe médica de plantão na sede da PF.
Carlos disse ter receio de que Bolsonaro tenha uma nova queda na PF. "Não tem risco de fuga. Quando ele estava na prisão domiciliar, usava tornozeleira eletrônica, tinha agentes em volta de casa", disse o vereador. Michelle relatou que os policiais faziam a vistoria da residência duas vezes por dia.
"Não tem como ele sair [de casa]. Vai ser abduzido? A polícia estava ali fora o tempo todo. A gente tinha também a violação de direitos da minha filha de 15 anos de idade, que não podia receber amigos para fazer trabalho de escola. A nossa casa é um presídio", destacou a ex-primeira-dama.
Prisão de Bolsonaro
Bolsonaro ficou em prisão domiciliar de 4 de agosto até 22 de novembro, quando foi preso preventivamente por tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A detenção ocorreu no âmbito do inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
No dia 25 de novembro, Moraes encerrou a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão de Bolsonaro. A defesa já apresentou diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, mas as solicitações foram negadas por Moraes.
VEJA TAMBÉM:




