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Fim de prazo

Defesa de Bolsonaro pede prorrogação da prisão domiciliar humanitária

Defesa de Bolsonaro pede prorrogação da prisão domiciliar humanitária
Na véspera do fim do prazo, defesa de Bolsonaro pede a prorrogação da prisão domiciliar humanitária. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu, na noite desta terça-feira (23), ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a prorrogação da prisão domiciliar humanitária. O benefício, concedido em março de 2024 por 90 dias, terminará nesta quinta-feira (25).

Para embasar o pedido, os advogados citaram o precedente do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em que o STF reconheceu que a idade avançada e a necessidade de tratamento contínuo justificam a medida para a preservação da dignidade humana e da saúde.

Eles afirmam que, em casa, Bolsonaro conta com a supervisão de familiares para a administração de remédios e dieta fracionada, além de acesso rápido a suporte médico.

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"A manutenção das condições atuais reduz significativamente os riscos de descompensação clínica e de eventos potencialmente graves", diz o documento. A defesa sustenta que a prisão domiciliar humanitária não deve ser restrita a casos de doenças terminais.

"A jurisprudência deste Tribunal revela, portanto, orientação no sentido de que a prisão domiciliar humanitária não pressupõe situação terminal ou quadro de pré-óbito, sendo suficiente a demonstração de circunstâncias clínicas que recomendem tratamento contínuo e ambiente apto a reduzir riscos concretos de agravamento", afirmam os advogados.

Caso Moraes considere necessária uma nova avaliação antes de decidir pela prorrogação, a defesa solicitou, de forma subsidiária, a realização de uma perícia médica oficial. Nesse cenário, os advogados pedem que Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar até que o laudo pericial seja concluído.

Saúde de Bolsonaro

Os advogados argumentam que, embora Bolsonaro apresente estabilidade clínica no momento, essa condição é resultado direto do controle rigoroso e contínuo das múltiplas comorbidades realizado no ambiente doméstico.

Segundo a petição, a estabilidade não significa a resolução das enfermidades de base, mas sim o sucesso das medidas terapêuticas e do acompanhamento multidisciplinar que o ambiente domiciliar estruturado permite.

O documento foi protocolado junto com um novo relatório elaborado pelos médicos Claudio Birolini, Leandro Echenique e Brasil Caiado. Segundo eles, Bolsonaro é um paciente com "quadro de multimorbidade complexa". Entre as condições listadas estão:

  • Histórico de pneumonias aspirativas recorrentes e risco permanente de broncoaspiração;
  • Sequelas permanentes de múltiplas cirurgias abdominais e episódios de obstrução intestinal;
  • Instabilidade postural e distúrbio de equilíbrio, com elevado risco de quedas;
  • Necessidade de doses elevadas de medicamentos para o controle de crises recorrentes de soluços.

A equipe médica destaca que o uso de medicações de ação central exige monitoramento constante, pois podem afetar a cognição e aumentar o risco de quedas.

Além disso, o relicário destaca que o ex-presidente realizou recentemente uma cirurgia ortopédica no ombro direito e segue em processo de reabilitação fisioterápica.

Linha do tempo da prisão de Bolsonaro

18 de julho de 2025 - Bolsonaro é submetido a uma série de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição do uso de redes sociais.

04 de agosto de 2025 - Moraes ordenou a prisão domiciliar do ex-presidente após ele cumprimentar manifestantes durante uma manifestação, via chamada de vídeo, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

11 de setembro de 2025 - Bolsonaro é condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pela suposta tentativa de golpe de Estado.

22 de novembro de 2025 - Bolsonaro é preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por tentar violar sua tornozeleira com um ferro de solda.

25 de novembro de 2025 - Moraes declara o trânsito em julgado da ação penal do golpe (AP 2668) e ordena o cumprimento imediato da pena. A medida representa o encerramento do processo. Bolsonaro permaneceu preso na sede da PF.

15 de janeiro de 2026 - Moraes determina a transferência de Bolsonaro da sede da PF para a Papudinha, dentro do Complexo da Papuda.

13 de março de 2026 - Bolsonaro é internado com broncopneumonia bacteriana bilateral.

24 de março de 2026 - Moraes autoriza a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente por 90 dias.

27 de março de 2026 - Bolsonaro recebe alta hospitalar e passa a cumprir prisão domiciliar.

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