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Delegados da PF dizem que Gilmar desvia foco de problemas reais do STF

Ministro decano quer reduzir sorteio e aumentar distribuição de casos por conexão temática.
Ministro decano quer reduzir sorteio e aumentar distribuição de casos por conexão temática. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, declarou nesta quarta-feira (3) que o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tenta desviar o foco dos problemas da Corte ao sugerir que delegados não possam mais compor a equipe de gabinetes do tribunal.

Para Edvandir, a ajuda especializada dos policiais aos ministros é "salutar", sendo "lamentável" a sugestão feita por Gilmar ao presidente do STF, Edson Fachin, de proibir a presença dos agentes.

Nesta tarde, surgiu a informação de que Gilmar teria procurado Fachin para opinar que seria melhor afastar os delegados da PF dos gabinetes dos magistrados, como forma de evitar a contaminação de investigações. A justificativa seria o risco de os agentes exercerem algum tipo de influência sobre os ministros.

Gilmar entende que retirar os delegados ajudaria a mitigar a recente crise entre o ministro André Mendonça e a Direção-Geral da PF. O desgaste se intensificou após a derrubada do sigilo de investigações da corporação sobre o Banco Master — que envolve o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes.

Leia a íntegra da nota da ADPF:  

É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal. Os profissionais destacados para atuar nos gabinetes dos ministros estão ali justamente em razão de sua expertise e de seu conhecimento técnico, características próprias da atividade de delegado da PF.

Magistrados não são obrigados a dominar todos os ramos e situações que chegam a sua apreciação e ter profissionais especialistas em várias áreas é salutar em todos os gabinetes. Esse auxílio especializado é tradicionalmente promovido por advogados da união, juízes auxiliares e delegados,  que dão suporte em uma melhor compreensão dos aspectos que permeiam uma investigação policial.

Certamente os problemas atuais da Suprema Corte não são responsabilidade dos delegados de Polícia Federal, nem dentro, nem fora da Polícia. Talvez demonizá-los seja apenas o caminho mais fácil para tirar o foco dos problemas que realmente merecem solução.”

Edvandir Paiva - presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

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