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O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, pediu neste sábado (28) que o mundo acompanhe com atenção o processo eleitoral brasileiro, e afirmou que, se as eleições forem de fato “justas e livres”, ele acredita que vai vencer a disputa. A fala aconteceu durante o breve discurso de Flávio no terceiro dia da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), o maior fórum conservador do mundo, que acontece em Dallas, no Texas.
Flávio foi apresentado por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e começou seu discurso lembrando o pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Exibindo fotos do pai, o senador lembrou a proximidade de Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump, e fez um paralelo entre os dois líderes. Flávio lembrou que Bolsonaro foi preso, não “por corrupção, como alguns líderes latino-americanos”, mas preso e condenado pelo resto da vida, por conta da atuação abusiva do Judiciário, algo parecido com o que se tentou fazer com Trump.
O senador disse que, assim como Trump, Bolsonaro foi acusado oficialmente de “insurreição” por conta dos resultados eleitorais, mas que a perseguição ao pai e a Trump teria outra motivação. “A verdadeira razão é a mesma: o maior líder político do meu país está na prisão por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo que tinha”, disse Flávio.
O senador também ressaltou a atuação do pai “contra a tirania da Covid”, no combate ao crime organizado e em favor dos valores conservadores. “Ele [Jair Bolsonaro] lutou contra interesses das elites globais, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destrói famílias, e acima de tudo, ele lutou pela liberdade”, ressaltou Flávio.
Relação Brasil e Estados Unidos
Durante sua apresentação, Flávio Bolsonaro destacou o papel de destaque do Brasil no cenário internacional, apontando sua riqueza natural, sua dimensão territorial e o peso econômico na América do Sul. Segundo ele, o país concentra mais de 220 milhões de pessoas, possui vastas reservas de água doce, terras agrícolas estratégicas e recursos energéticos capazes de influenciar o equilíbrio global.
O senador afirmou que o Brasil pode se tornar peça-chave para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China, especialmente no fornecimento de minerais críticos, como as chamadas terras raras, essenciais para tecnologia, inteligência artificial e equipamentos de defesa. “Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana se torna impossível”, disse.
Mostrando fotos de Lula com o ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, Flávio também criticou a atual política externa brasileira, afirmando que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado uma postura contrária aos interesses dos Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil tem se aproximado da China e atuado contra pautas defendidas por Washington em temas como Venezuela, Irã, Cuba e combate ao narcotráfico.
O senador mencionou ainda um episódio recente envolvendo o governo brasileiro e autoridades americanas. Segundo ele, o Brasil cancelou o visto do assessor do Departamento de Estado Darren Beattie após o diplomata manifestar interesse em visitar Jair Bolsonaro. Para Flávio, o caso simboliza o atual nível de tensão nas relações bilaterais.
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Candidato à Presidência
Ao longo do discurso, Flávio reforçou sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Segundo ele, a decisão foi tomada a pedido do pai e representa a continuidade de um projeto político conservador.
O senador afirmou que que vem construindo uma ampla base de apoio, reunindo empresários, jovens e famílias. “Estou construindo um movimento que o Brasil não via há anos”, declarou. Flávio disse ainda que, caso vença as eleições, pretende retomar pautas defendidas durante o governo Bolsonaro, como o combate ao crime organizado, a oposição à agenda ambiental e a defesa de valores tradicionais. Ele também afirmou que pretende reaproximar o Brasil dos Estados Unidos.
Apelo internacional por eleições justas
Na parte final do discurso, o senador fez um apelo à comunidade internacional para que acompanhe o processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, não é desejada interferência externa, mas sim atenção e monitoramento. “Não queremos interferência nas eleições brasileiras, como a administração Biden fez para trazer Lula ao poder”, afirmou. “Mas precisamos de eleições livres e justas.”
Flávio pediu que governos e instituições do “mundo livre” observem o processo eleitoral, estudem o formato das eleições no país, monitorem a liberdade de expressão, e exerçam pressão diplomática para garantir o funcionamento adequado das instituições. “Se nosso povo puder se expressar livremente e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer”, disse.
Encerrando o discurso, o senador afirmou que pretende retornar ao evento no futuro como presidente do Brasil. Segundo ele, uma eventual vitória representaria o fortalecimento de uma aliança conservadora no hemisfério ocidental. “Estaremos celebrando o nascimento da mais forte aliança conservadora na história do hemisfério”, concluiu.
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Leia a íntegra do discurso de Flávio Bolsonaro:
Senhoras e senhores,
Sei que muitos de vocês estão me olhando agora e pensando que me reconhecem de algum lugar. Provavelmente estão pensando no meu pai, ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.
Aqui está ele com Donald Trump na Casa Branca em 2019. Eles o chamavam de Trump dos Trópicos porque ele era amado pelo povo e carregava seus valores sem meias palavras.
Aqui está ele falando neste mesmo palco no CPAC 2023, quando muitos de vocês lhe deram uma ovação de pé.
E aqui está ele na semana passada, no hospital, onde passou seu 71º aniversário. Preso, condenado a 27 anos de prisão.
Preso por corrupção como todos os líderes latino-americanos?
Não. Preso e condenado por 27 anos, pelo resto da vida, através de lawfare quase idêntico ao que Donald Trump sofreu aqui mesmo na América. A acusação formal é similar à que o Presidente Trump enfrentou – insurreição. Soa familiar?
Mas a verdadeira razão é a mesma: o maior líder político do meu país está na prisão por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo que tinha.
Meu pai lutou contra a tirania da COVID. Ele lutou contra cartéis de drogas. Ele lutou contra interesses das elites globais, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destrói famílias, e acima de tudo, ele lutou pela liberdade. Meu pai também foi o aliado internacional mais leal de Donald Trump e o último líder mundial a reconhecer Joe "Autopen" Biden como presidente.
Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Donald Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Donald Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo.
Nós brasileiros ainda estamos lutando. Porque quando prenderam meu pai, trouxeram este homem de volta ao poder.
As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram este homem – ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado múltiplas vezes por corrupção – da prisão e o colocaram de volta na presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e interferência massiva da administração Biden.
O resultado? O Brasil está vivendo outra crise econômica devastadora, uma crise de segurança pública com expansão enorme de cartéis narcoterroristas, e múltiplos escândalos de corrupção envolvendo até membros da própria família do Lula.
Mas talvez vocês estejam pensando: "Por que deveríamos nos importar? Este é um problema do Brasil."
Deixem-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo.
Primeiro, eu não acho que vocês compreendem completamente a escala do que estamos falando. O Brasil é maior em território que os Estados Unidos continentais. Temos 220 milhões de pessoas em uma nação 90% cristã. Representamos mais da metade de toda a América do Sul em território, população e PIB. Com todo respeito aos nossos vizinhos, apenas um estado brasileiro tem uma economia maior que a segunda maior economia da região. Controlamos as maiores reservas de água doce do mundo, vastas terras agrícolas que alimentam o mundo, e recursos energéticos que poderiam alimentar continentes. Até nossos vizinhos sabem que nossa região não pode prosperar se o Brasil falhar. Qualquer política latino-americana que não leve o Brasil em consideração está fadada ao fracasso.
Mas aqui está o que realmente deveria chamar sua atenção: o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução da América para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras. Neste momento, a América ainda depende da China por cerca de 70% das importações de terras raras – e a China controla 70% da mineração global e mais de 90% do refino e processamento.
Por que isso importa? Essas terras raras são essenciais para processadores de computador, a revolução da IA que está transformando nosso mundo, e o magnífico equipamento de defesa americano que impressiona o mundo. Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana se torna impossível, e a produção dos sistemas militares avançados que mantêm a superioridade americana cai nas mãos de adversários. Sem eles, a revolução tecnológica da América para, e a segurança nacional se torna vulnerável. E quando a América se torna vulnerável, todo o mundo livre se torna vulnerável.
Então, como tem sido a relação do Brasil com os Estados Unidos desde que o homem que Joe Biden e o estado profundo americano trabalharam tanto para trazer ao poder assumiu o controle?
Lula e seu partido são abertamente antiamericanos. Ele fala publicamente sobre minar o dólar como moeda global. Ele alinhou o Brasil com a China em escala massiva. Ele se opôs aos interesses americanos em cada item da política externa – criticando publicamente as ações do Presidente Trump na Venezuela, Irã, Cuba, e na luta contra o tráfico de drogas. Mais chocante de tudo: ele usou lobby pesado com certos conselheiros americanos para evitar que os dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, o presidente do meu país faz lobby na América para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo.
E apenas duas semanas atrás, como prova de quão ruins as coisas ficaram, o Brasil sob Lula cancelou o visto do Dr. Darren Beattie, Conselheiro Sênior para Política do Brasil no Departamento de Estado dos EUA – a mais alta posição diplomática americana para lidar com o Brasil. Algo sem precedentes em nossa história. Tudo porque o Dr. Beattie pediu para visitar meu pai na prisão e avaliar suas condições. Sim, o Brasil agora está expulsando diplomatas americanos.
Agora, eu entendo que o Presidente Trump está incrivelmente ocupado fazendo a América grande novamente e deve manter relações institucionais com líderes de todos os países, independentemente de suas preferências pessoais. E sei que às vezes, quando cercado por conselheiros com seus próprios interesses, o quadro fica confuso. Mas estou confiante de que o maior negociador da história pode facilmente ver quem são os verdadeiros aliados do Brasil.
Mas deixem-me compartilhar as boas notícias. Eu disse que ainda estamos lutando. E no final do ano passado, meu pai me deu a maior missão da minha vida: concorrer à presidência em seu lugar nas eleições de outubro de 2026.
E deixem-me olhar nos olhos de vocês aqui e dizer: EU VOU VENCER.
Estou liderando as pesquisas em todo o país. Estou construindo uma coalizão massiva – líderes empresariais cansados de corrupção, jovens famintos por oportunidade, famílias desesperadas para proteger seus filhos das drogas e do crime. Estou construindo um movimento que o Brasil não via há anos. Um projeto conservador de vanguarda que une as gerações antigas e novas, que trará prosperidade à nação brasileira e encerrará o ciclo de atraso, miséria e violência que a esquerda está deixando como herança maldita.
Apenas na semana passada, até os mercados de apostas começaram a me colocar como favorito para vencer a eleição.
E quando eu vencer, o povo brasileiro terá novamente um presidente que luta contra interesses das elites globais, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destrói famílias, contra cartéis de drogas, e acima de tudo, luta pela liberdade e valores tradicionais. Um presidente que proclama sem medo que Jesus Cristo é Nosso Senhor.
Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo? Bem, Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai.
Mas a América também terá seu aliado de volta.
Brasil e América foram feitos um para o outro. Compartilhamos os mesmos valores judaico-cristãos e temos o que o outro precisa. A América precisa de cadeias de suprimentos seguras para materiais críticos, um parceiro confiável no hemisfério, e um mercado massivo para bens e serviços americanos. E o Brasil precisa de três coisas: ajuda lutando contra cartéis transnacionais de drogas, investimentos, e tecnologia. Não há nação no mundo que possa nos ajudar com isso melhor que os Estados Unidos. E se estivermos alinhados, ninguém pode nos parar.
Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do hemisfério, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna qualquer política americana para a região impossível.
Então alguns de vocês estão perguntando como podem ajudar. Vou responder muito diretamente: não queremos interferência nas eleições brasileiras como a administração Biden fez para trazer Lula ao poder. Como eu disse: vou vencer porque é a vontade do meu povo.
Mas para que essa vontade seja preservada, precisamos de eleições livres e justas. E este é o grande desafio. Se nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer. E Donald Trump e todos vocês aqui sabem uma coisa ou duas sobre isso, certo?
Meu apelo aqui, não apenas aos Estados Unidos mas ao mundo livre inteiro, é este: observem a eleição do Brasil com enorme atenção. Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente.
Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana – essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?
Meu pai está preso esta noite pelas mesmas crenças que vocês têm. Mas seu sacrifício não será em vão. Ano que vem, quando eu retornar a este palco como Presidente do Brasil, não estaremos apenas celebrando outra vitória eleitoral. Estaremos celebrando o nascimento da mais forte aliança conservadora na história do Hemisfério Ocidental. O começo de uma nova era onde a liberdade vence, onde nossos filhos herdam um hemisfério que vale a pena defender.
Deus abençoe a América, e Deus abençoe o Brasil.







