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Crise na Esplanada

Governo Lula pretende cortar cargos indicados por partidos que apoiarão Flávio no segundo turno

José Guimarães
Guimarães defende exonerações de indicados de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos após adesão das siglas ao senador. (Foto: Myke Sena/Câmara dos Deputados)

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O ministro José Guimarães, das Relações Institucionais, está mapeando os cargos ocupados por indicados de partidos do Centrão que anunciaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial. Ele defenderá a exoneração como uma reação à adesão de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos à candidatura do principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ofensiva ocorre após tentativas de aliados de Lula de manter a neutralidade dos partidos durante a disputa eleitoral. Antes do primeiro turno, o presidente conversou com dirigentes dessas siglas e pediu que qualquer decisão sobre uma eventual segunda rodada fosse discutida previamente com ele.

“Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula”, afirmou Guimarães em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (9).

O levantamento de Guimarães inclui indicações na administração federal e considera também espaços ocupados pelas legendas em autarquias e estruturas estaduais. Com a adesão dos partidos a Flávio, aliados do presidente passaram a cobrar uma reação mais dura.

Guimarães afirmou que a campanha petista também pretende explorar o apoio do Centrão ao adversário para associá-lo às práticas tradicionais da política.

“Vamos radicalizar o discurso contra Flávio Bolsonaro e mostrar que ele é o candidato do sistema porque agregou as velhas práticas políticas e as velhas lideranças do Centrão”, declarou o ministro.

Mais cedo nas redes sociais, Guimarães criticou a aliança e acusou os partidos de buscar o controle da máquina pública como uma “máfia do poder” a serviço de Flávio Bolsonaro.

Parcerias estratégicas

Apesar da ameaça de exonerações, o governo pretende manter o diálogo com setores dessas legendas em estados considerados estratégicos. Entre os interlocutores que aliados de Lula esperam preservar estão os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Motta declarou apoio a Lula no primeiro turno, participou de atos eleitorais na Paraíba e não participou do anúncio de apoio de seu partido a Flávio. Alcolumbre também ficou fora da manifestação partidária e ajudou a destravar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1, que começou a ser discutida nesta semana e deve ser votada no dia 15.

Na quinta-feira (8), Motta se reuniu com Lula em Brasília e, segundo o presidente, teria confirmado o apoio ao petista neste segundo turno da eleição presidencial. “Ele vai me ajudar a ganhar as eleições”, disse o presidente.

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