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Para entender

Governo Lula mantém sigilo sobre gastos milionários do cartão corporativo

Partido muda estratégia e passa a defender investigação do filho do presidente Lula às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. (Foto: Renato Pizzutto/Band)

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O governo federal mantém em segredo cerca de R$ 83 milhões em despesas da Presidência da República realizadas via cartão corporativo entre 2023 e agosto de 2026. Apesar do discurso de transparência na campanha eleitoral, a gestão atual também acumula mais de 22 mil negativas de acesso à informação. O cenário ocorre em meio a um desafio público de abertura de dados entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Qual é o valor total das despesas da Presidência mantidas sob sigilo?

Entre o início de 2023 e agosto de 2026, os gastos totais do Cartão de Pagamento do Governo Federal vinculados à Presidência somaram R$ 84,54 milhões. Desse total, R$ 83,37 milhões foram classificados como sigilosos, o que representa aproximadamente 98,6% de todo o valor desembolsado no período. Isso significa que a sociedade não consegue conferir detalhes básicos, como o nome do fornecedor ou o que exatamente foi comprado, restando visíveis apenas o mês, o ano e o valor da transação, além da unidade administrativa responsável pelo gasto, como o gabinete pessoal do presidente.

Como o governo justifica o uso frequente de sigilo nos gastos públicos?

A principal justificativa para esconder esses dados é a preservação da segurança do presidente, de seus familiares e das equipes de proteção. O governo argumenta que detalhar hospedagens, trajetos, combustíveis ou alimentação poderia expor rotinas e comprometer a integridade física das autoridades. No entanto, essa prática contrasta com os pedidos feitos por cidadãos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Quando alguém solicita dados mais específicos, os órgãos frequentemente negam alegando proteção à intimidade ou que o pedido é genérico demais para ser processado pelo sistema.

Quantos pedidos de acesso à informação foram negados pela atual gestão?

Os registros oficiais do painel Busca LAI apontam que o Poder Executivo federal negou 22.474 solicitações entre 2023 e outubro de 2026. O maior volume de negativas aconteceu logo no primeiro ano do mandato, com mais de 6.200 pedidos barrados. Desde então, a média anual de rejeições tem se mantido acima de cinco mil. As respostas negativas abrangem todos os ministérios e entidades do governo federal, sendo muitas vezes fundamentadas em leis que protegem dados pessoais, documentos em fase de preparação ou informações que o governo considera de caráter estratégico para a segurança nacional.

Quais são alguns exemplos reais de informações barradas pelo governo?

Dois casos chamam a atenção: em setembro de 2026, o Ministério das Relações Exteriores negou detalhar gastos com a primeira-dama Janja e artistas em embaixadas no exterior, alegando que o pedido não especificava datas ou locais. Outro exemplo envolve o Gabinete de Segurança Institucional, que barrou o acesso à lista de visitantes dos palácios da Alvorada e do Planalto. O órgão negou até mesmo registros específicos sobre as visitas de familiares de Lula e de autoridades do judiciário, justificando que essas informações dizem respeito à vida privada e à segurança das altas autoridades.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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