
Ouça este conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone por mais de uma hora com o presidente da China, Xi Jinping, na noite de domingo (26), para discutir a ampliação da parceria comercial entre os dois países poucos dias após a entrada em vigor de um novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Durante o diálogo, Lula e Xi defenderam o fortalecimento da cooperação econômica, tecnológica e diplomática, além da ampliação das relações bilaterais. A conversa teve como foco a implementação de projetos nacionais de desenvolvimento e o avanço da cooperação em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
“Nosso governo segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Coincidimos a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, que contemple as necessárias flexibilidades”, afirmou o presidente.
O Ministério das Relações Exteriores também ressaltou os resultados positivos do intercâmbio entre os dois países e destacou medidas para estimular novos negócios.
“Destacamos também os bons resultados do comércio bilateral, bem como o impacto positivo das jornadas culturais em curso este ano nos dois países e do acordo para isenção de vistos de curta duração. Essas iniciativas vão ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio”, informou o comunicado.
Embora o governo brasileiro não tenha mencionado as tarifas americanas como tema da conversa, a ligação ocorreu poucos dias após a entrada em vigor da sobretaxa de 25% dos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros por supostas práticas desleais com empresas do país. Na mesma semana, Washington também anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% após investigação sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado no Brasil.
VEJA TAMBÉM:
Comércio entre Brasil e China
No ano passado, o comércio entre o Brasil e a China alcançou o recorde de US$ 171 bilhões, alta de 8,2% em relação ao ano anterior, consolidando o país asiático como principal parceiro comercial brasileiro. Os principais números do intercâmbio foram:
- Comércio total: US$ 171 bilhões;
- Exportações brasileiras: US$ 100 bilhões;
- Importações da China: US$ 70,9 bilhões;
- Superávit brasileiro: US$ 29,1 bilhões;
- Participação da China no comércio exterior brasileiro: 27,2%.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil para a China destacaram-se a soja (US$ 34,5 bilhões), o petróleo bruto (US$ 20 bilhões) e a carne bovina (US$ 8,8 bilhões). Já as importações foram impulsionadas por bens de capital e produtos industrializados, veículos híbridos e eletrificados, além de produtos farmacêuticos, reforçando a relevância da parceria econômica entre os dois países.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil, seguido pelos Estados Unidos (US$ 83 bilhões) e pela Argentina (US$ 31 bilhões). Com este último, as relações políticas estão estremecidas após críticas do presidente Javier Milei a Lula.
China apoia Brasil contra EUA
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou que a China apoia o Brasil na “rejeição da interferência externa” e manifestou disposição para ampliar a coordenação estratégica entre os dois países em fóruns bilaterais e multilaterais.
Na área internacional, Lula e Xi demonstraram preocupação com os impactos econômicos provocados pelas restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb e pela continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza. Os dois líderes também defenderam maior atuação diplomática para reduzir os conflitos internacionais.
“Ao discutir os principais desafios da agenda internacional, lamentamos a proliferação de conflitos ao redor do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global, além das graves perdas humanas e materiais”, declarou Lula.
Os dois presidentes ainda avaliaram que o Grupo de Amigos da Paz pode contribuir para a retomada das negociações sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em responder às atuais crises internacionais.
Encerrando a conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso com a cooperação em organismos multilaterais, afirmando que “reiteramos o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordamos em manter estreita coordenação sobre esse e outros temas da agenda internacional no mais alto nível na ONU, no Brics e outros fóruns”.








