
Ouça este conteúdo
Apuração em andamento
Diversas capitais registraram a concentração de multidões com o ato “Acorda, Brasil” convocado pela direita para este domingo (1). Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador reuniram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro desde a manhã em seus principais cartões postais.
Na capital federal Brasília, a concentração foi a partir das 10h em frente ao Museu da República e utilizou um carro de som. Entre as autoridades presentes, os senadores Izalci Lucas e Rogerio Marinho e a deputada federal Bia Kicis. Todos discursaram a favor do perdão aos condenados pelo 8 de janeiro e pelo fim das "arbitrariedades".
Presente, o pré-candidato ao Senado Federal por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, disse ter optado por "permanecer no chão, conversar de perto, ouvir e sentir o que as pessoas têm a dizer". “Eu sou só uma pessoa que está se somando ao público”, disse o filho 02 de Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o ato reuniu milhares de pessoas no final da manhã em frente ao posto 5, em Copacabana. Em cima do carro de som, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a capital fluminense de “berço do bolsonarismo e da direita”. “Fora Lula, Moraes e Toffoli! CPMI do Banco Master! Anistia já! Bolsonaro livre!”, escreveu ele no X.
Flávio chega à Paulista com Zema
Na avenida Paulista, pouco antes do meio dia milhares de pessoas se concentraram nas imediações do MASP. O carro de som "Avassalador" reuniu as autoridades presentes, que incluíram o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, os deputados federais Ricardo Salles e Philippe de Orleans e Bragança e diversos outros nomes do campo de direita.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro chegou por volta de 15h, acompanhado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de Nikolas e do pastor Malafaia.
Tradicional desde as manifestações que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, o boneco do Pixuleco de Lula vestido de presidiário voltou. Uma versão com Bolsonaro censurado e a inscrição “Falem por mim!” na boca foi levada pelos apoiadores do ex-presidente, para simbolizar censura.
A multidão vestiu as cores verde e amarelo da bandeira e pediu liberdade para Bolsonaro. Flávio Bolsonaro chegou à avenida Paulista por volta das 15h. Ele estava acompanhado do governador de Zema, de Nikolas e do pastor Silas Malafaia.

Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira reuniu uma multidão na Praça da Liberdade, no centro da cidade, e encontrou o governador mineiro Romeu Zema (Novo), cotado para integrar a chapa da direita com Flávio. Em tom descontraído, Nikolas disse que estava "faltando um trem" e escreveu em caneta vermelha o lema “Acorda, Brasil!” na camiseta branca do governador.

Na capital baiana, a concentração de patriotas aconteceu em frente ao Farol da Barra, ponto de referência do circuito Barra-Ondina no carnaval. Os baianos também foram animados por carros de som e seguiram em um cortejo pela avenida Oceânica.
Causas defendidas
As bandeiras dos atos vão desde pautas como o pedido de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, como também críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como em todas as manifestações da direita, aparece também a defesa do combate à corrupção e ao aumento de impostos.
A defesa de um tom mais duro contra o STF não é consensual dentro do campo da direita. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem adotado postura mais moderada, buscando ampliar o diálogo com setores de centro. Nos bastidores, aliados avaliam que uma pauta excessivamente concentrada em ataques à Corte pode produzir efeitos políticos indesejados neste momento pré-eleitoral.
Mobilização marca a pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A mobilização do dia 1º de março ocorre em um ambiente já marcado por movimentações pré-eleitorais e pela reorganização de lideranças no campo conservador. A expectativa entre os organizadores é de que o ato seja também uma vitrine para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro na direita.
Escolhido por Jair Bolsonaro para ser o candidato do PL ao Palácio do Planalto, o senador intensificou, nas últimas semanas, as articulações para consolidar seus palanques em todo o país. Para o cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, o ato deve funcionar como um teste de narrativa.
“Já vivemos um clima de campanha permanente, e essas mobilizações ajudam a testar quais pautas colam junto ao eleitorado, se é Bolsonaro, anistia ou crítica ao STF”, avaliou.










