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3ª Operação Rent a Car

Pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante são alvos da PF em GO e MG

Sóstenes Cavalcante
PF busca aprofundar investigação sobre desvio de recursos públicos envolvendo líder do PL na Câmara. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

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Pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, são alvos da terceira fase da Operação Rent a Car, deflagrada nesta quarta-feira (1º) pela Polícia Federal. O parlamentar é investigado por suspeita de desvio de recursos da cota parlamentar.

Apuração da Gazeta do Povo com fontes a par da investigação aponta que os alvos são assessores e advogados ligados ao deputado. São cumpridos mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino no Distrito Federal e nos estados de Goiás e Minas Gerais para coletar e preservar provas que possam reforçar o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Esta fase da operação, diz a Polícia Federal, é o aprofundamento da investigação referente à apreensão de cerca de R$ 470 mil em espécie em endereços ligados ao parlamentar supostamente da venda de um imóvel em Minas Gerais, que ele usou como justificativa para o dinheiro.

"Os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita (feita anteriormente)", escreveu a Polícia Federal no relatório enviado a Dino e que teve o sigilo levantado no começo da tarde.

Segundo o documento, a escritura do imóvel foi lavrada no dia 30 de dezembro de 2025, 11 dias depois da apreensão do dinheiro. O registro aponta que o pagamento feito em espécie teria ocorrido pouco mais de um mês antes, no dia 24 de novembro.

"A própria análise policial ressaltou, contudo, que a comunicação é datada de 30/12/2025, precisamente a mesma data em que a escritura foi formalizada em cartório. Esse aspecto cronológico assume especial relevo investigativo. Isso porque a escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12/2025", apontou a investigação.

A Gazeta do Povo procurou o deputado para se pronunciar sobre esta nova fase da operação e aguarda retorno.

Ocultação de provas

A operação desta quarta-feira (1º) é um desdobramento da Rent a Car e foi denominada de "Galho Fraco II". No ano passado, no início das investigações, a Polícia Federal encontrou supostas irregularidades na contratação de uma empresa de locação de veículos com recursos da cota parlamentar envolvendo Sóstenes e o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).

"As investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos. Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual", explicou a Polícia Federal em um comunicado.

Imagens das apreensões divulgadas pela Polícia Federal agentes mostram quantias em espécie de real e dólar escondidas em livros falsos e relógios de luxo.

De acordo com a investigação, o foco agora está em aprofundar a análise sobre o fluxo do dinheiro e a participação dos envolvidos no suposto esquema.

Envolvimento dos deputados

Na primeira fase da Operação Rent a Car, em dezembro de 2025, os alvos foram assessores ligados a Sóstenes e Jordy, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Tocantins e Distrito Federal.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontaram indícios de que uma empresa de locação de veículos teria sido utilizada para simular contratos de prestação de serviços, conferindo aparência de legalidade ao uso de verbas públicas destinadas à atividade parlamentar.

A suspeita é de que agentes públicos e empresários tenham atuado em conjunto para desviar recursos da cota, em um esquema investigado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na época, os dois parlamentares negaram qualquer irregularidade e afirmaram ser alvo de perseguição política.

Dias depois, durante o cumprimento de mandados da segunda fase, a Polícia Federal mirou diretamente os dois deputados e apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante em Brasília. O deputado afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel em Minas Gerais, alegando que se tratava de recurso lícito e declarado no Imposto de Renda.

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