Publicidade
Orçamento

Senado tenta retirar exigência de compensação de súmula contra “pautas-bomba”

Durigan buscou Gilmar Mendes para tentar por fim ao mecanismo que dá poder de pressão aos presidentes do Congresso.
Durigan buscou Gilmar Mendes para tentar por fim ao mecanismo que dá poder de pressão aos presidentes do Congresso. (Foto: Washington Costa/MF)

Ouça este conteúdo

A advocacia do Senado Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (24) uma nota técnica da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle (Conorf) sobre a proposta de súmula vinculante do ministro Gilmar Mendes, que busca acabar com as chamadas "pautas-bomba".

A proposta do decano foca no artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), uma espécie de anexo à Constituição. O artigo diz que "a proposição legislativa que crie ou altere despesa obrigatória ou renúncia de receita deverá ser acompanhada da estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro". A ideia de Gilmar é deixar fixado que leis que aumentam despesas ou reduzem receitas sem estudo de impacto ou compensação são inconstitucionais:

"O artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias aplica‐se à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, sendo inconstitucional a lei ou ato normativo que crie ou altere despesa obrigatória, conceda benefício fiscal ou implique renúncia de receita sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro, bem como sem a indicação das respectivas medidas compensatórias, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal".

O Senado segue defendendo a rejeição completa da proposta, mas agora foca nas medidas compensatórias. A nota técnica aponta que não há jurisprudência obrigando a compensação e que impor tal obrigação por meio de súmula vinculante levaria ao aumento da demanda nos tribunais, além de dificultar a atuação do Legislativo.

Antes, a Casa propunha que, caso aprovada, a súmula vinculante não tivesse qualquer menção a medidas compensatórias. Agora, a alternativa proposta suaviza o trecho incluindo a necessidade de se olhar para a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000):

"[...] sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro, ficando as medidas de compensação, quando aplicáveis, reguladas pela Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000".

O Senado apresentou ainda uma terceira alternativa em junho. Nesse caso, a falta de medidas compensatórias não seria tratada como vício de validade da norma. A compensação funcionaria como condição para que a lei ou ato normativo produzisse efeitos no exercício financeiro:

"[...] sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro e constituindo, as medidas compensatórias, condição de eficácia no exercício financeiro, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal."

Entenda o mecanismo que Gilmar Mendes quer abolir

As pautas-bomba recebem esse nome porque geram um impacto no orçamento. O mecanismo é utilizado por líderes do Congresso como forma de manter influência junto ao Executivo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou Gilmar em busca do fim dessa ferramenta. Ele tem um irmão que já atuou no STF. Victor Carnevalli Durigan trabalhou na Corte durante a presidência de Luís Roberto Barroso e chegou a coordenar iniciativas de combate à desinformação. Atualmente, ocupa a Diretoria de Promoção de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Um dos exemplos de uso contra governo foi um projeto de lei sobre aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) reagiu à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cargo de ministro do STF, e anunciou que colocaria a matéria em pauta no mesmo dia em que o presidente Lula (PT) anunciou a decisão.

A AGU tenta uma solução ainda mais agressiva contra o mecanismo de pressão. Sua proposta busca alcançar não apenas a lei, mas toda a discussão e votação anterior a ela. A estimativa de impacto também deveria ser "fundamentada e atualizada". O órgão também propõe deixar explícitas as hipóteses de ampliação ou prorrogação de benefícios fiscais e incentivos tributários.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.