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António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu com folga as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal. O político, que se apresenta como "democrata, progressista e humanista", fez dois terços dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido Chega.
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Ventura reconheceu a derrota, mas sem desanimar: "Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer História! Obrigado pela confiança". A direita e a centro-direita fizeram cerca de metade dos votos no primeiro turno, mas mesmo assim o socialista venceu a disputa. Por quê?
Para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos 'radical', e um tom excessivo na campanha, contra 'tudo e todos', pode assustar
Em boa parte porque a eleição foi transformada numa disputa entre "moderados" e "radicais", em vez de esquerda e direita. Seguro é tido como um quadro mais moderado do Partido Socialista, tendo inclusive feito oposição responsável à direita quando o país teve de realizar reformas e apertar os cintos.
Já André Ventura se vende como antissistema, detonou todos os candidatos no primeiro turno, colocando-se como o único capaz de enfrentar o establishment. Essa é uma boa estratégia para chegar ao segundo turno, mas não para atrair o apoio dos demais candidatos de centro-direita e direita...
Os "liberais limpinhos" acharam mais seguro, com o perdão do trocadilho, apoiar o candidato socialista Seguro. Os globalistas estão aliviados, a esquerda global congratula o vencedor, e todos comemoram que a "ultradireita" saiu derrotada – desta vez. Não creio que seja boa notícia para Portugal.
Mas algumas lições podem ser extraídas do pleito. A principal delas: para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos "radical", e um tom excessivo na campanha, contra "tudo e todos", pode assustar. Calibrar a mensagem antissistema com essa estratégia mais pragmática é o grande desafio da direita nacionalista.





