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Rodrigo Constantino

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Eleições

O inferno astral lulista só aumenta

Lula com novos deputados da esquerda, incluindo Ana Elisa Santos (de roupa cinza), autora de posts polêmicos nas redes sociais, incluindo um pedindo que Lula feche as igrejas porque “esses crentes só fazem besteira”. (Foto: André Borges/EFE)

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A revista Veja publicou áudios e documentos em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por fraude, diz ter colocado dinheiro “por fora” num documentário sobre Lula em troca de negócios no governo. No relato levado à PGR em junho, na segunda proposta de delação que foi descartada, o então sócio Augusto Lima teria se reunido com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, por meio de caciques do partido na Bahia.

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O acerto descrito: cerca de R$ 30 milhões em espécie para cobrir despesas de um documentário sobre Lula gravado no exterior, pago ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto, mais valores ao próprio instituto, como condição para votos suficientes no credenciamento junto a fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Asset e da Previ.

No áudio, Vorcaro contrapõe o pagamento do filme de Lula, que chama de “por fora” e “errado”, ao patrocínio do filme sobre Flávio, que diz ter sido regular. A meta de negócios citada no entorno da delação chega à casa dos bilhões, com propina proporcional. A PGR recusou a proposta alegando falta de prova, porque o pagamento teria sido em espécie. Paulo Gonet e Andrei Rodrigues não têm a menor condição de permanecerem à frente da PGR e da Polícia Federal, respectivamente. Ambos agiam claramente para blindar a máfia petista ligada a Vorcaro. Estavam obstruindo a Justiça.

No X, o assunto que não sai do topo é 'Lula não feche minha igreja'. A onda reaqueceu uma série de tuítes de Ana Elisa Santos, recém-eleita deputada pelo PT com votação alta, nos quais ela escreveu, entre outras coisas bizarras, que Lula deveria fechar as igrejas porque 'esses crentes só fazem besteira'

Não é a primeira vez que Vaccari e o Instituto Lula aparecem no mesmo parágrafo que dinheiro vivo. É o método. O banqueiro que o Planalto trata como caso de “maior crime financeiro” descreve o filme do presidente como pedágio para entrar nos fundos de pensão dos servidores. A delação foi engavetada com o argumento cômodo de que espécie não deixa rastro – exatamente a razão pela qual o esquema usa espécie. É o PT cobrando pedágio de novo, com o mesmo tesoureiro de sempre.

O PT passou a campanha inteira tentando colar Flávio no Master. O áudio inverte o frame: o pagamento “errado”, na boca do próprio banqueiro, é o do filme de Lula. Espécie, Instituto Lula, ex-tesoureiro, credenciamento em fundo de pensão. É o roteiro da Lava Jato com outro banco.

No X, o assunto que não sai do topo é “Lula não feche minha igreja”. A onda reaqueceu uma série de tuítes de Ana Elisa Santos, recém-eleita deputada pelo PT com votação alta, nos quais ela escreveu, entre outras coisas bizarras, que Lula deveria fechar as igrejas porque “esses crentes só fazem besteira”. O post voltou a circular depois que ela se reuniu com Lula e a cúpula do partido para discutir estratégia digital do segundo turno. Nikolas Ferreira e perfis bolsonaristas empurraram a frase. Ana Elisa desativou o perfil e falou em ameaças. Sempre a cartada de vítima.

Não é Fake News, ao contrário do que faz o PT contra Flávio. É frase real de uma deputada eleita do PT, dita quando ela ainda não era figura pública e agora cobrada porque o partido a sentou à mesa da campanha. O eleitor evangélico não esquece 2022, e o PT sabe disso: Lula passou o primeiro turno inteiro evitando igreja e dizendo que comício se faz na rua. A base petista, porém, continua tratando fé como atraso. Uma frase de quatro anos não fecha templo nenhum. Revela o desprezo que o partido nunca conseguiu esconder, e que custa voto no segundo turno.

Enquanto isso, Alexandre de Moraes coloca a pá de cal na candidatura de Lula. O ministro determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado pela Primeira Turma a 4 anos e 2 meses em regime inicial semiaberto, por “coação no curso do processo”, sob a tese patética de que é o responsável pelas sanções americanas contra autoridades brasileiras ligadas ao julgamento do pai. Flávio pediu a renúncia de Moraes. A Gazeta do Povo tratou o caso como perseguição sem fim.

Isso não é execução penal rotineira. É o mesmo ministro que foi alvo da articulação externa virando o carrasco do processo, no mesmo pacote em que cancela passaporte e cassa direito político de quem vive fora do país. O recado é político e eleitoral: a família Bolsonaro continua sob tutela do STF no meio do segundo turno. Chamar isso de Estado de Direito é marketing.

Destino de ministro que legisla, acusa e executa no mesmo processo tem nome antigo: impeachment. O Senado novo já discute reduzir o quórum que Gilmar Mendes queria para blindar a Corte. Quanto mais Moraes aperta, mais esse debate deixa de ser abstrato e se torna crucial para virar essa página sombria e pacificar o país.

Por fim, o Datafolha (registro no TSE BR-02949/2026) abriu o segundo turno com Flávio Bolsonaro à frente de Lula. A primeira pesquisa do instituto depois do primeiro turno, encomendada pela Globo e pela Folha e feita nos dias 6 e 7 de outubro com 2.520 entrevistas, dá 49% ao senador do PL e 45% ao presidente. Em votos válidos, o placar é 52% a 48%. A margem é de dois pontos, o que os jornais tratam como empate técnico no limite do intervalo.

O número que importa não é o empate técnico vendido para acalmar o Planalto. É o voto válido, o único que a Justiça Eleitoral conta, e nele Flávio já abre quatro pontos. Isso no Datafolha, que sempre infla os votos à esquerda! Lula carrega rejeição maior, avaliação ruim do governo e a herança de um primeiro turno em que ficou atrás mesmo com a máquina. A migração dos eliminados também não é neutra: o eleitor que descartou o centro e a direita moderada está indo mais para o PL do que para o PT. Augusto Cury também fechou apoio ao Flávio. Quem insiste em chamar isso de empate está fazendo campanha, não análise.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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