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Nesta quinta-feira (5), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que também é secretário de Governo e Relações Institucionais do estado de São Paulo, anunciou a filiação de seis deputados estaduais do PSDB da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Com a mudança, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que já foi por mais de vinte anos a sigla mais forte do legislativo paulista, passa a ter apenas dois parlamentares, a menor bancada da sua história na Alesp. Por outro lado, o PSD, que já ocupa quatro cadeiras na Alesp, passará a ficar com 11.
Além dos tucanos Analice Fernandes, Maria Lucia Amary, Rogério Nogueira, Mauro Bragato, Barros Munhoz e Carlão Pignatari, Kassab anunciou a filiação ao PSD de Dirceu Dalben, do Cidadania, que passa a ocupar apenas uma cadeira na assembleia.
De acordo com o anúncio, a filiação ocorrerá no próximo dia 4 de março, durante a janela partidária.
Alesp era um dos últimos redutos sobreviventes do PSDB
O legislativo paulista era um dos últimos bastiões do PSDB, cujo derretimento se iniciou com o afastamento do então governador João Dória (PSDB) do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Dória se desfiliou do PSDB em 2022, após não conseguir apoio para a candidatura à Presidência da República.
Naquele ano, após mais de duas décadas no poder, o partido tucano perdeu o comando do governo de São Paulo ainda no primeiro turno, para Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).
Desde então, o PSDB vem perdendo cada vez mais espaço. Em 2024, não elegeu prefeito em nenhuma capital brasileira, perdeu diversas prefeituras em São Paulo e não elegeu sequer um vereador em São Paulo.
No ano passado, foi a vez de os governadores deixarem a sigla, após a migração de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e de Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, para o PSD.
"O esvaziamento do PSDB se deve à ausência de uma figura proeminente no partido. Hoje é muito difícil olhar para o partido e observar grandes quadros. O legado não conseguiu ser mantido tanto em São Paulo quanto a nível nacional", diz Letícia Mendes, cientista política e especialista em legislativo da BMJ Consultores Associados.
Sobre escombros do PSDB, Gilberto Kassab se fortalece em meio a decisão sobre vice de Tarcísio
A divulgação dos novos quadros do PSD chama atenção pelo aceno de Kassab ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em um momento em que o nome que será vice de Tarcísio, na chapa à reeleição, está aberto.
No anúncio, Kassab elogia e endossa o apoio ao governador. "Sejam bem-vindos! Todos cada vez mais entusiasmados com a extraordinária gestão do nosso governador Tarcísio de Freitas e firmes no seu projeto de reeleição nesta eleição de 2026!", publicou nas redes sociais.
Quanto mais nomes o PSD tiver na base de Tarcísio na Alesp, maior é o poder de negociação de Kassab por espaço no governo de São Paulo. O PSD tem a cadeira de vice de Tarcísio, de Felício Ramuth, mas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, quer André do Prado (PL), presidente da Alesp, na chapa que disputará a reeleição.
Na última sexta-feira (30), Kassab afirmou a jornalistas, durante evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), que "seria um privilégio grande" ser vice de Tarcísio, mas complementou que "não é nenhuma obstinação ou fonte de desejo".
Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o crescimento da base do PSD na Alesp demonstra mais um fortalecimento tanto da sigla quanto de Kassab, que pode cada vez mais se destacar e ganhar autonomia em relação a Tarcísio no estado de São Paulo.
"Pode até haver uma convergência nas próximas eleições, como houve em 2022, mas Kassab tenta cada vez mais montar sua própria base para no futuro se tornar protagonista, inclusive sobre os escombros do PSDB e em uma posição de centro, não flertando com os Bolsonaros e não se aproximando da esquerda".
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