
A britânica Ethel Caterham atingiu a marca histórica de 117 anos em 21 de agosto de 2026, sendo reconhecida como a pessoa viva mais velha do mundo. Nascida em 1909, a supercentenária superou desafios como a Covid-19 aos 110 anos e hoje desperta o interesse da ciência. Pesquisadores buscam entender como organismos como o dela conseguem resistir por tanto tempo aos efeitos naturais do envelhecimento.
O que define uma pessoa como supercentenária para a ciência?
Chegar aos 100 anos já é uma conquista rara, mas o termo supercentenário é reservado para um grupo ainda mais seleto: pessoas que alcançam ou ultrapassam os 110 anos de idade. Esses indivíduos são de extremo interesse para a medicina porque apresentam a chamada compressão da morbidade. Isso significa que as doenças crônicas típicas da velhice demoram muito mais para aparecer ou causam um impacto muito menor na vida deles. Em vez de apenas envelhecerem de forma lenta, eles demonstram uma resistência biológica coordenada que protege o organismo de desgastes naturais por mais de onze décadas.
Quais características biológicas permitem viver mais de 110 anos?
Estudos indicam que o diferencial não é um único fator, mas uma combinação de mecanismos eficientes. Supercentenários costumam ter um sistema imunológico mais adaptado, níveis baixos de inflamação e uma capacidade superior de reparar o DNA. Um processo ativo de limpeza celular ajuda a remover detritos que prejudicam o funcionamento do corpo. Recentemente, a análise de outra mulher que viveu 117 anos mostrou uma contradição curiosa: embora tivesse células de defesa envelhecidas, ela possuía uma idade biológica inferior à cronológica, além de proteção natural para o cérebro e o coração.
Qual é o peso da genética na busca pela longevidade?
A genética desempenha um papel fundamental, especialmente em casos de vida tão longa. Especialistas explicam que não existe um único gene da juventude, mas uma herança poligênica, ou seja, vários genes trabalhando juntos. Variantes do gene APOE, por exemplo, ajudam a proteger contra o Alzheimer e doenças do coração, enquanto o FOXO3 melhora a resposta ao estresse nas células. Estima-se que a genética contribua com cerca de 55% para a longevidade extrema quando isolamos causas externas. No entanto, o DNA não é uma sentença final e precisa interagir com um ambiente e hábitos favoráveis.
Hábitos de vida e sorte influenciam o recorde de idade?
Sim, a longevidade é o resultado da interação entre genes, comportamento e até o que a medicina chama de estocasticidade biológica, que é a sorte em eventos aleatórios do organismo. Entre os hábitos comuns em quem vive muito estão nunca ter fumado, manter atividade física constante e ter uma alimentação baseada em vegetais. Outro ponto vital são os laços sociais. Ethel Caterham, por exemplo, convive intensamente com amigos e família, gosta de ouvir música clássica e observar pássaros. Ela resume sua receita pessoal em evitar discussões, ouvir os outros e sempre fazer aquilo de que gosta.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




