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Para entender

Pesquisa de Oxford associa consumo de bebidas muito quentes ao câncer de esôfago

Estudo de Oxford relaciona consumo frequente de bebidas muito quentes a maior risco de câncer de esôfago. (Foto: René Porter/Unsplash)

Um estudo da Universidade de Oxford, publicado em setembro de 2026, indica que o consumo frequente de café ou chá em temperaturas superiores a 65°C aumenta significativamente o risco de câncer de esôfago. A análise acompanhou quase um milhão de adultos no Reino Unido por mais de dez anos, revelando que a agressão térmica constante ao tecido esofágico é o principal fator de risco identificado.

Como a temperatura da bebida influencia o risco de desenvolver a doença?

Os dados mostram uma relação direta e gradual: quanto mais quente a bebida, maior a probabilidade de desenvolver o carcinoma de células escamosas no esôfago. Pessoas que preferem bebidas descritas como 'quentes' têm um risco 69% superior em comparação às que bebem líquidos mornos. Já para quem consome bebidas consideradas 'muito quentes', o risco chega a ser três vezes maior. O fator determinante não é o tipo de líquido, como café ou chá, mas sim o calor excessivo que entra em contato direto com a mucosa do órgão, gerando danos térmicos que podem levar a mutações celulares graves.

Por que o calor excessivo pode causar danos às células do esôfago?

A explicação científica reside na agressão térmica repetida à mucosa esofágica. Quando ingerimos líquidos em temperaturas muito elevadas, provocamos microlesões no revestimento interno do esôfago. Esse processo gera uma inflamação constante e obriga o corpo a realizar uma reparação celular repetitiva e acelerada. Ao longo de anos de exposição a esse ciclo de dano e regeneração, aumentam as chances de ocorrerem erros genéticos nas células, o que pode dar origem ao câncer. É importante ressaltar que uma queimadura ocasional não causa a doença, mas sim o hábito prolongado e diário.

Qual é a temperatura considerada perigosa e como identificá-la?

A referência oficial da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer é de 65°C. Bebidas acima deste patamar são classificadas como provavelmente cancerígenas. Na prática, como nem sempre é possível usar um termômetro culinário, a orientação é observar a sensação térmica na boca. Se o líquido ainda provoca queimadura ou desconforto na língua e nos lábios, ele está quente demais para ser engolido com segurança. Especialistas recomendam esperar alguns minutos após o preparo para que a bebida atinja uma temperatura 'confortavelmente quente', evitando assim a exposição desnecessária do esôfago.

É necessário parar de tomar café ou chá para evitar o câncer?

Não há necessidade de abandonar o consumo dessas bebidas, que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas. O estudo reforça que o problema não está nos componentes do café ou do chá, mas exclusivamente na forma como são ingeridos. A medida preventiva mais eficaz é simplesmente mudar o hábito da temperatura. Além disso, o câncer de esôfago continua sendo uma doença relativamente incomum na população geral, e outros fatores, como o tabagismo e o consumo de álcool, são riscos ainda mais estabelecidos. Basta ter paciência e deixar a xícara esfriar um pouco antes de aproveitar a bebida.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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