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Faculdades reclamam de fiscais do Enade

Leandro (de camisa listrada) e Eduardo: locais diferentes e mesma orientação | Antonio COsta / Gazeta do Povo
Leandro (de camisa listrada) e Eduardo: locais diferentes e mesma orientação (Foto: Antonio COsta / Gazeta do Povo)

Quatro instituições de ensino superior de Curitiba reclamam de falta de organização na aplicação da prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). De acordo com estudantes e coordenadores de sete cursos de Comunicação Social, os fiscais de prova teriam dado orientações para que eles não respondessem 15 de um total de 40 questões. O Enade avalia, a cada três anos, um grupo de cursos superiores em todo o país. Participam universitários que estão iniciando e concluindo o curso. O publicitário Leandro Car­doso, 29 anos, conta que fez a prova no fim do ano passado, no Colégio Estadual Segismundo Falarz, no Hauer, e que na sala onde estava recebeu a orientação dos fiscais para não responder da 11.ª à 25.ª questão. "Houve questionamento e insistência de vários estudantes. A coordenadora do local de prova chegou a ir até a sala e confirmar a informação de que não deveríamos responder", diz.

Outro publicitário, Eduardo Karasinski, 21 anos, conta que fez a prova em uma escola no Batel e enfrentou situação parecida. "O fiscal escreveu no quadro as questões que não deveríamos responder", lembra. Eduardo também se confundiu ao fazer a prova de Jornalismo e não de Publicidade e Propaganda, como deveria ter feito. "Eles entregaram todos os cadernos de provas. Não havia uma separação nítida para cada uma das habilitações", reclama. No total, são seis provas diferentes, para cada uma das habilitações existentes em Comunicação Social. As questões de 11 a 25 correspondem a 37,5% da prova. Dentro deste intervalo estavam dez questões comuns sobre Comunicação Social, presentes nos diferentes tipos de prova.

Manifesto

Em dezembro do ano passado, os coordenadores de sete cursos de Comunicação Social enviaram uma carta ao Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC) responsável pela coordenação do exame. O coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Positivo, André Tezza, ressalta que pelo menos metade de seus alunos deixou de responder às questões. "O que queremos é uma resposta do Inep. Que validade vai ter uma prova como esta?", questiona.

Para a coordenadora do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mônica Fort, o governo deve um posicionamento oficial sobre a validade ou não destas questões. "Se a informação repassada aos alunos foi equivocada, vai interferir negativamente no resultado", diz. Coordenadores de cursos de Comunicação da Faculdade Opet e das Faculdades Integradas do Brasil também assinaram o manifesto enviado ao Inep.

A coordenadora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná, Kely Prudêncio, informou que os alunos realizaram uma assembleia no ano passado e decidiram pelo boicote à prova do Enade. A assessoria de imprensa do Inep se limitou a informar que ainda não registrou nenhuma denúncia sobre o problema e que a orientação aos fiscais de prova cabe à empresa responsável pela aplicação do exame, a Consulplan.

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