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“Desprezo com o Poder Judiciário”

Moraes criticou Débora do batom por apagar mensagens, mas fez o mesmo ao falar com Vorcaro

Moraes é irmão de um tabelião de Santos (SP).
O ministro do STF Alexandre de Moraes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que teve o cuidado de apagar conversas com Daniel Vorcaro em seu celular, já criticou duramente o uso desse tipo de recurso ao julgar réus. Em 2025, votando pela condenação da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou a estátua da Justiça com batom durante os atos de 8 de janeiro de 2023, Moraes definiu o ato de deletar mensagens de celular no âmbito de um inquérito como “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública”.

“Reforça a conclusão referida, a demonstrar desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública, o fato de que a ré apagou e ocultou provas de sua intensa participação nos atos golpistas do dia 8/1/2023”, escreveu Moraes. Isso porque, afirma o ministro, na análise do celular de Débora pela Polícia Federal (PF) “não foram encontradas conversas relevantes nos aplicativos de mensagens WhatsApp sobre os assuntos que concernem o objeto das investigações”.

“Foi observado nesta análise que existem diversas conversas no aplicativo Whatsapp e que estas têm uma interrupção nos diálogos concernente ao período entre dezembro/2022 e primeira quinzena de fevereiro/2023. Isto pode ser um indício de que Debora dos Santos tenha apagado do seu telefone os dados relevantes referentes ao período das manifestações antidemocráticas e atos antidemocráticos do dia 08/01/2023”, afirmou o ministro, ao votar para condenar a cabeleireira a 14 anos de prisão.

Registros de dados e mensagens extraídos pela Polícia Federal dos telefones de Daniel Vorcaro, e tornados públicos pela imprensa nesta sexta-feira (6), mostram que o banqueiro trocou mensagens com Alexandre de Moraes, inclusive no dia de sua prisão, em 17 de novembro de 2025. As conversas teriam começado após 7 da manhã e terminaram perto das 21 horas, minutos antes de Vorcaro ser preso no aeroporto.

A PF, no entanto, só conseguiu interceptar as mensagens do banqueiro, uma vez que Moraes se valeu do recurso de visualização única, que apaga permanentemente o conteúdo do aplicativo de mensagens após a leitura do destinatário.

“Fiz uma correria aqui para tentar salvar (...) Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu o banqueiro ao ministro, segundo informação divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela Gazeta do Povo. Não fica claro a que Vorcaro se referia com “bloquear” ou “salvar”, mas a hipótese da investigação, pela movimentação intensa do dia, aponta para uma tentativa de evitar a liquidação de seu banco e escapar de uma ordem de prisão.

Segundo a PF, Moraes teria respondido em seguida, mas o conteúdo não pôde ser recuperado, porque o modo visualização única foi usado na resposta. A investigação ainda apontaria outra troca de mensagens entre os dois em outubro de 2025, também com o uso do recurso de visualização única por ambos.

Por meio de seu gabinete no STF, o ministro negou que tenha recebido as mensagens. “Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", afirmou a Corte em nota divulgada para a imprensa.

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