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"Nada em troca"

Quem é Walfrido Warde, que fez proposta “matadora” para livrar Moraes da Magnitsky

Walfrido Warde
Mensagens revelam como Walfrido Warde ofereceu uma estratégia para tentar livrar Alexandre de Moraes das sanções da Lei Magnitsky. (Foto: Ton Molina/STF)

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Conhecido pela atuação bastante combativa nos tribunais, pelo apoio público a Guilherme Boulos e pela atuação na ação que levou o STF a restringir as emendas pix, o advogado Walfrido Warde novamente teve seu nome projetado nacionalmente após a divulgação de mensagens nas quais apresenta uma "estratégia matadora" para tentar livrar o ministro do STF Alexandre de Moraes das sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

Segundo a colunista Malu Gaspar, de O Globo, conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que Warde, então advogado de Vorcaro, ofereceu “ajuda filantrópica” para buscar a reversão das medidas adotadas contra Moraes em agosto de 2025. "Quero nada em troca. Só ajudar mesmo", escreveu o advogado ao cliente.

A proposta envolvia acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sob o argumento de que a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro brasileiro violaria direitos fundamentais. A estratégia também previa reunir um grupo de dez juristas para endossar essa tese e dar sustentação jurídica à iniciativa.

Entre banqueiros, ministros e parlamentares

Formado em Direito pela USP, com LL.M. pela Universidade de Nova York e doutorado em Direito Comercial também pela USP, Warde ganhou notoriedade ao atuar na defesa de Lúcio Funaro, operador financeiro que se tornou um dos principais delatores da Lava Jato. Ao longo da carreira, também representou grandes grupos empresariais, como a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e o Bradesco em disputas relacionadas ao caso Americanas.

O ganha-pão de Warde vem da advocacia para banqueiros e grandes empresas, mas o advogado também cultiva uma faceta de formulador político ao defender o lobby e sonhar com um Brasil "que distribui renda". Em 2016, ele fundou o Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), organização dedicada ao debate de políticas públicas, democracia e das relações entre os setores público e privado.

Mais do que um centro de debates, o IREE transformou-se em um espaço de circulação da elite do poder. Em seus seminários e encontros, ministros do STF e de tribunais superiores compartilham mesas, palestras e eventos sociais com advogados, empresários e executivos de companhias que, não raro, possuem interesses pendentes no Judiciário. O modelo é alvo de questionamentos por reduzir a distância tradicional entre julgadores e agentes privados.

A projeção de Warde em Brasília ganhou mais um capítulo em 2024, quando ele atuou pelo PSOL na ADI 7697, ação que questionava a constitucionalidade das emendas parlamentares impositivas e das chamadas emendas Pix. Na petição, o partido sustentava que o Congresso havia promovido uma espécie de "captura do orçamento público", retirando do Executivo parte de sua capacidade de planejar e executar políticas públicas.

Relator do caso, o ministro Flávio Dino suspendeu a execução das emendas até que fossem estabelecidas regras mais rígidas de transparência e rastreabilidade. A decisão desencadeou uma das maiores crises recentes entre STF e Congresso e acabou levando a uma negociação entre os Três Poderes para destravar a execução dos recursos. Nos bastidores de Brasília, o episódio foi visto como uma demonstração da influência alcançada por Warde, cuja atuação deixou de se limitar aos tribunais e passou a produzir efeitos diretos sobre o funcionamento do sistema político.

Advogado com causas ideológicas

Apesar de ter construído a carreira defendendo banqueiros e grandes empresas, Warde não cultiva o perfil discreto associado à advocacia corporativa. Crítico da Operação Lava Jato, defensor da regulamentação do lobby e um dos apoiadores mais visíveis de Guilherme Boulos na tentativa de eleição para a Prefeitura de São Paulo, o advogado faz questão de participar ativamente do debate público.

Em entrevistas, já afirmou sonhar com um Brasil capaz de promover a redistribuição de renda e defende um papel mais ativo do Estado no desenvolvimento econômico. Essa faceta ideológica também se manifesta no Reconversa, videocast apoiado pelo IREE e apresentado por Warde ao lado do jornalista Reinaldo Azevedo.

O programa se tornou uma vitrine para autoridades e lideranças políticas da esquerda. Entre os convidados já entrevistados estão o vice-presidente Geraldo Alckmin, o prefeito do Recife, João Campos, a ministra Macaé Evaristo e o escritor Fernando Morais, biógrafo de Lula. A combinação entre advocacia empresarial, influência em Brasília e engajamento em causas da esquerda transformou Warde em uma figura incomum no cenário jurídico brasileiro.

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