Após ver a primeira reação concreta dos aliados no Congresso que, insatisfeitos, paralisaram a pauta de votações na Câmara nesta quarta-feira, o governo entrou em campo para tentar conter o descontentamento de sua base aliada e evitar que a paralisia perdure por mais tempo.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), anunciou que fará uma reunião com os líderes aliados na noite desta quarta e colherá as insatisfações para tentar uma solução junto ao Executivo.
"Vou admitir que há uma suposta crise na base", disse a jornalistas, acrescentando que não acredita que o "desconforto" generalizado perdure por muito tempo, "porque não vivemos uma crise de oposição", argumentou o líder governista.
Para ajudar na missão de Vaccarezza, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disparou telefonemas durante o dia para caciques do Partido da República, a legenda mais insatisfeita e que ameaça desembarcar da coalizão, para acalmar os ânimos aliados.
Ela também foi ao Senado conversar pessoalmente com o presidente do PR, o senador Alfredo Nascimento, que deixou o ministério dos Transportes em julho depois de denúncias de corrupção, e com o senador Blairo Maggi (PR-MT).
"Nós não somos oposição ao governo. Mas nossa situação na base será discutida no futuro", disse à Reuters o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG).
E ainda nesta quarta, a ministra vai reunir, no Palácio do Planalto, líderes aliados e parlamentares com influência em setores específicos da ampla base de apoio do governo Dilma para conter a rebelião que impediu a votação de pelo menos uma medida provisória importante para o Executivo.
A MP que deixou de ser votada na Câmara coloca o setor de etanol sob regulação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e promove mudanças na gestão dos Correios.
Mas o adiamento da votação desta MP pode ser apenas o início dos problemas para a presidente Dilma Rousseff que tem dado pouca importância à relação com o Congresso, na avaliação dos descontentes.
Segundo relato de um assessor parlamentar que participou da reunião entre o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e os líderes de todos os partidos para definir a pauta de votações desta quarta e dos próximos meses, o clima era de irritação total. Principalmente entre os aliados, disse a fonte, que pediu para não ter seu nome revelado.
E o governo precisa de sua base e a própria Dilma reuniu os aliados nesta manhã pedindo união para aprovar medidas que ajudem o Brasil enfrentar a crise econômica mundial e, principalmente, adiem a tramitação de propostas que aumentem os gastos públicos.
A insatisfação dos parlamentares aliados é constituída por vários aspectos, entre eles a recente operação da Polícia Federal, que prendeu integrantes do Ministério do Turismo, a falta de liberação de emendas parlamentares do Orçamento deste ano e a reação de Dilma de afastar aliados de cargos no governo após as denúncias mos ministérios dos Transportes e Agricultura.
No caso das emendas, a área política do governo ainda tenta convencer a equipe econômica da necessidade da liberação de pelo menos 1 bilhão de reais do Orçamento deste ano e Ideli disse aos deputados que um calendários de pagamentos deve ser concluído até o final do mês.
Um auxiliar próximo à presidente avalia, sob a condição de anonimato, que o governo está sendo arrastado pelo noticiário de denúncias contra os ministérios justamente por não ter uma agenda política conjunta com o Congresso.
Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta manhã mostrou uma piora na avaliação do governo Dilma.
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