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Celso Nascimento

Projeções sujeitas a chuvas e trovoadas

A coerência dos dados de duas pesquisas feitas quase simultaneamente reforça a percepção de que elas retratam quadros talvez muito próximos da realidade. Primeiro, na quinta-feira, o Ibope/RPC* apurou que, no intervalo de 15 dias entre duas rodadas do instituto, o candidato tucano Beto Richa perdeu 3 pontos (de 50% para 47%); e que o pedetista Osmar Dias subiu 4 (de 34% para 38%) no mesmo período. A distância entre ambos caiu, portanto, sete pontos porcentuais.

No dia seguinte, sexta-feira, o Datafolha/RPC** mostrou situação semelhante na comparação entre suas duas últimas rodadas: Beto caiu 3 (de 47% para 44%) e Osmar subiu 4 (34% para 38%). A diferença, que era de 13 pontos há duas semanas, passou para seis.

A conjunção das duas pesquisas – conforme já foi assinalado neste espaço na última sexta-feira – parece confirmar a mudança dos ventos eleitorais no Paraná. Se antes eles enfunavam as velas da nau de Beto Richa, agora favorecem a navegação de Osmar. Se os ventos não mudarem de rumo e se, até o dia 3 de outubro, sua velocidade for estável, já há data marcada para um ultrapassar o outro. E também já há cálculos que antecipam o resultado final.

A coluna submeteu os cadernos referentes às três rodadas de pesquisa feitas pelo Ibope/RPC desde julho (um total de 150 páginas de tabelas e gráficos) a um professor das áreas de matemática e estatística da Universidade Federal do Paraná. Apolítico e avesso à ideia de ter seu nome vinculado à disputa eleitoral, concordou em realizar o estudo pedido pela coluna sob a condição de ser mantido anônimo.

Antes, fez algumas ressalvas: seu trabalho consideraria os nú­­meros dados pelo Ibope, mas se estes contivessem distorções, fatalmente os resultados a que chegaria refletiriam igualmente tais distorções. Logo, não se responsabilizaria pelo acerto ou equívoco dos seus cálculos.

Na noite da última sexta-feira, o professor entregou o resultado de seu trabalho – três folhas de papel A4 nas quais

- Admite, por não poder contraditar, a hipótese de que os índices aferidos pelo Ibope são confiáveis.

- Explica ter desprezado as margens de erro (3% para mais ou para menos) para não gerar intermináveis variações nos cálculos.

- Condiciona suas projeções à manutenção das atuais circunstâncias político-eleitorais – isto é, não pode prever mudanças provocadas por eventuais fatos novos que venham a ocorrer na campanha até o dia 3 de outubro.

Feitas todas essas ressalvas, após outras notas metodológicas e analíticas, o professor tece as considerações finais. As mais importantes e objetivas são:

- Se as velocidades de crescimento da candidatura de Osmar e de queda de Beto Richa se mantiverem constantes, os dois candidatos já estarão matematicamente empatados no próximo dia 24.

- E, mantidos estáveis os mesmos fatores, nas urnas do dia 3 de outubro o resultado seria 53% para Osmar e 47% para Beto nos votos válidos.

A coluna faz a mesma advertência do autor das contas: também não tem como se responsabilizar com este mero e curioso exercício de futurologia. Deixemos para conferir depois.

(*) O Ibope realizou 1.512 entrevistas entre 6 e 8 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos. Registro no TRE-PR com o número 21.413/2010.

(**) O Datafolha ouviu 1.229 pessoas nos dias 8 e 9 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos. Registro no TRE-PR n.º 21.185/2010.

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