O ex-presidente Lula acertou ao não conceder a extradição de Cesare Battisti. Quem afirma é Renata Saraiva, uma das advogadas responsáveis pela defesa do italiano no país. "As reações do governo italiano e de setores da sociedade italiana, com ameaças de sequestro de Battisti no Brasil, passeatas, notas oficiais, moções e propostas de boicote ao Brasil e a todas as pessoas que apoiaram Cesare Battisti falam por si", afirma Renata, em entrevista concedida por e-mail. Battisti não fala mais com a imprensa. Ele só teria interesse em continuar com sua "pacata vida de escritor", diz ela.
Renata afirma que Battisti foi julgado à revelia e não teve chance de se defender ele foi condenado nas três instâncias do Judiciário italiano. Ela ressalta que "os verdadeiros culpados" transferiram a Battisti toda a culpa porque teriam direito à delação premiada. Ele estava vivendo em paz na França, que já havia negado o pedido de extradição. Mas, diz ela, com uma mudança na orientação ideológica do governo francês, a França acabou cedendo à Itália e decidindo por extraditá-lo.
O italiano recorreu a tribunais franceses, mas não obteve sucesso. Apresentou ainda recurso à Corte Europeia, que foi negado. Renata ressalta que esse órgão não apreciou a legalidade da extradição. "A Corte apreciou, tão somente, a adequação do julgamento à revelia face à Convenção Europeia de Direitos Humanos."



