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Caso Pasadena

Graça e Lobão irão ao Senado para esvaziar pedido de CPI

A presidente da Petrobras, Graça Foster, vai comparecer no dia 8 de abril e, uma semana depois, será a vez de Edison Lobão, ministro de Minas e Energia

Numa tentativa de esvaziar o pedido da oposição de criar uma CPI da Petrobras às vésperas das eleições, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acertaram com líderes da base aliada do Senado que vão participar de audiências públicas em comissões da Casa. Graça Foster vai comparecer no dia 8 de abril e, uma semana depois, será a vez de Edison Lobão.

O acordo foi revelado nesta quarta-feira (26) pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Até o momento, os dois vão comparecer na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas é possível que os encontros se transformem numa sessão conjunta com a Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) do Senado. Só falta a confirmação da agenda do presidente do último colegiado, Eduardo Amorim (PSC), que pode ocorrer em breve.

Para Humberto Costa, o acerto da vinda de Graça e Lobão é uma "clara demonstração" que o governo está interessado em dar as explicações dos fatos que envolvem a estatal petrolífera. A CPI ganhou força depois que o jornal O Estado de S.Paulo revelou, na semana passada, que a presidente Dilma Rousseff (PT), quando presidia o Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor da compra de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), com base em um resumo juridicamente "falho".

Dois anos atrás, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo US$ 1,18 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga. "Não abriremos espaço para paralisar os trabalhos do Congresso e montarmos um palco para alguns que querem aparecer", afirmou Humberto Costa, em discurso da tribuna do Senado, para quem a ação da oposição é "eminentemente" eleitoral.

O líder petista criticou também a representação apresentada à Procuradoria Geral da República contra Dilma nesta terça-feira, 25, por um grupo de parlamentares independentes por conta do voto em Pasadena. Ele lembrou que a decisão da estatal foi colegiada, com a participação, por exemplo, do empresário Jorge Gerdau. "Eu gostaria de ver essa mesma ousadia também em relação aos demais outros membros do conselho", afirmou a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffman (PT), em aparte ao colega de partido.

Humberto Costa disse que a bancada do PT no Senado fechou questão contrariamente ao pedido de CPI. Até o momento, a oposição já recolheu na Casa 22 assinaturas em favor da investigação parlamentar. Assinaram nesta quarta o líder do PSDB na Casa, Aloysio Nunes Ferreira (SP), Paulo Bauer (PSDB-SC), e a senadora Maria do Carmo (DEM-SE). O mínimo necessário é 27 nomes embora a oposição queira, primeiro, apresentar uma CPI mista, composta por deputados e senadores.

O líder petista pediu aos colegas de outros partidos que resistam à pressão de assinar a CPI. Segundo ele, o governo está dando as explicações necessárias. "Tentam lhes pressionar sob o argumento de que (os senadores) estariam sendo coniventes com a impunidade", criticou.

Operação abafa

O Planalto trabalha nos bastidores para convencer senadores aliados a não assinarem o pedido de instalação da CPI da Petrobras. A oposição conseguiu reunir até agora 22 das 27 assinaturas necessárias para que a comissão seja criada.

Os governistas miram em senadores do PSB e do PMDB - que sinalizaram à oposição assinar o pedido de criação da comissão de inquérito. A bancada do PSB deve tomar decisão conjunta sobre a adesão à CPI depois que o líder da sigla, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), assinou o pedido.

Pré-candidato à Presidência da República e futuro adversário de Dilma, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) articula o apoio à comissão, assim como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) - também provável rival da petista na corrida eleitoral.

Da tribuna do Senado, Humberto Costa fez um apelo para que os governistas não assinem o pedido de criação da CPI. "Os que não assinaram ou não pretendem assinar: tentam lhes pressionar sob o argumento de que estariam sendo coniventes com a impunidade. Os que não estão assinando a CPI não o estão fazendo porque querem investigação correta pelos órgãos capacitados para fazê-la. O parlamento tem acesso a todas essas investigações."

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