Um dia depois de o plenário da Câmara aplicar a primeira derrota à presidente reeleita Dilma Rousseff, a Comissão de Agricultura da Casa aprovou a convocação de dois ministros e encerrou a sessão sob clima tenso.
Um dos principais líderes da oposição, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou que em breve os auxiliares da petista vão ser levados ao Congresso "debaixo de vara".
O deputado, que se elegeu senador a partir de 2015, afirmou que a oposição adotará posição de enfrentamento no Congresso daqui em diante. O motivo, segundo ele, foi a atitude de Dilma e do PT de ter "plantado a discórdia, o separatismo", e de ter praticado uma campanha das mais "sujas e sórdidas" da história.
"Tem que ser convocados sim [os ministros], porque daqui a alguns dias eles vão ser trazidos aqui debaixo de vara, é assim que eles vão ser trazidos, debaixo de vara", discursou Caiado na reunião, ao rebater a proposta dos petistas de transformar em convite o pedido de convocação do ministro Francisco José Coelho Teixeira (Integração Nacional).
O próprio ministro telefonou durante a sessão para aliados na comissão se colocando à disposição para ir ao Congresso no dia 13, desde que fosse convidado, não convocado.
A oposição, que tem maioria na comissão, bateu o pé, mas a falta de quórum acabou adiando a votação do requerimento de convocação para a próxima semana.
"Vir aqui dizer que um ministro tem que vir debaixo de vara? Vossa Excelência defendeu quem usou baionetas, mas aqui é uma democracia, tem que ser respeitada. Venha devagar, porque o senhor está em uma casa de iguais, tenha respeito pela democracia", rebateu o deputado Márcio Macedo (PT-SE).
Mais cedo, os oposicionistas convocaram para dar explicações à comissão (ainda sem data marcada) os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Neri Geller (Agricultura).
Embora cada requerimento apresente um motivo distinto para a convocação, o objetivo óbvio da oposição era aplicar uma derrota ao governo.
Na noite de terça (28), o plenário da Câmara sustou os efeitos de decreto da Presidência que estabelecia regras para os conselhos populares. A decisão tem que ser ratificada ainda pelo Senado.
Há ameaça de novas rebeliões e investidas da oposição nessa e nas próximas semanas. Além dos efeitos da eleição sobre os oposicionistas, que têm prometido manter o clima beligerante, setores de partidos aliados estão insatisfeitos com o apoio recebido do Planalto durante a disputa eleitoral.
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