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Alan Ghani

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Mercado financeiro

Por que a economia poderia melhorar com Flávio Bolsonaro

A reação do mercado à perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro reflete a expectativa de reformas fiscais, juros menores e crescimento sustentável. O desafio será transformar otimismo em resultados. (Foto: Isaac Fontana/EFE)

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Após o resultado do 1º turno, trazendo o favoritismo de Flávio Bolsonaro para ganhar as eleições (47% dos votos válidos contra 45% de Lula), o mercado reagiu positivamente no dia seguinte ao fechamento das urnas. O Ibovespa subiu 7,70%, os juros futuros chegaram a cair quase 2 p.p., e o dólar despencou 4,12%.

O otimismo é justificado porque o mercado entende que, com Flávio Bolsonaro, haveria mais probabilidade de reformas estruturais capazes de estabilizar a dívida pública e gerar crescimento sustentável. Os investidores antecipam no preço dos ativos a aprovação de medidas fiscais determinantes para reduzir os juros, com impactos favoráveis para a atividade econômica e para o mercado de capitais.

A lógica é simples. A austeridade fiscal reduz o prêmio de risco da dívida pública e aumenta a potência da política monetária. A queda de juros dos títulos públicos reduz o custo de capital de terceiros para as empresas (crédito bancário e debêntures) e incentiva os investimentos em ações, na medida em que há perda de atratividade dos títulos de renda fixa emitidos pelo governo. Tudo isso se resume em aumento de investimento para as empresas, trazendo crescimento da renda e do emprego.

É claro que, da expectativa até a aprovação de reformas fiscais, há um longo caminho. Mas, no caso de Flávio, há sinais favoráveis. Tudo indica que o candidato do PL monte uma equipe econômica técnica, de nomes de peso, como aquela de seu pai, formada por Paulo Guedes, Mansueto Almeida, entre outros. O segundo sinal positivo é que Flávio Bolsonaro conta com a maioria do Congresso para aprovação de reformas estruturantes.

Conta ainda a favor do senador o fato de ele ter sinalizado que não concorrerá a uma reeleição em caso de vitória.

Se Flávio conseguir se desprender das tentações do poder e da reeleição e pensar somente em reformas de Estado, sem se preocupar com o ônus de curto prazo do corte de gastos, o atual senador tem tudo para se tornar um estadista

Essa condição é potencializada pelos desafios de reverter a herança maldita deixada por Lula. O atual senador herdaria um país com uma dívida pública de aproximadamente 83% do PIB e deterioração das regras fiscais. Não há dúvidas de que Flávio Bolsonaro teria que rever essas regras e ainda propor um enxugamento da máquina pública com corte de ministérios, desindexação de reajustes, desvinculação de gastos e redução de subsídios.

O avanço de reformas fiscais poderia reduzir os juros de forma permanente e estrutural e ampliar a capacidade do Estado de investir no que interessa: infraestrutura, educação de base e técnica, saneamento — a fim de gerar crescimento sustentável.

Se conseguir esse feito, já colocaria Flávio Bolsonaro na condição de um grande presidente. Se ainda emplacar uma reforma do Judiciário, resgatando a segurança jurídica, Flávio Bolsonaro se tornaria um estadista.

Por enquanto, o mercado acredita no senador. Não à toa, alguns bancos de investimento dos EUA projetam a bolsa a 250.000 pontos e o dólar a R$ 4,50. Claro, tudo isso depende do resultado do dia 25 de outubro.

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