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No domingo, a Avenida Paulista estava cheia. Mas não é por isso que foi assustadora. E sim pelo recado que deixou. Sei que Lula não está sendo um candidato masoquista. Mas as consequências mostram que de fato tem sido. Talvez inconscientemente, concluiria Freud, como forma de evitar o ônus terrível de receber sua própria herança, ou talvez como forma de buscar logo a aposentadoria, ao entrar nos 80 anos e ir descansar com a Janja. O evento de domingo na Paulista mais assustou o brasileiro eleitor e mais estimulou uma votação anti-Lula.
Os organizadores só sentiram esse perigo em relação a Ana Elisa; por isso ela não estava lá. Mas a moça já havia deixado nas redes o ódio aos brancos, às igrejas, aos crentes, apoio ao aborto livre, à censura de Alexandre de Moraes contra as redes, entre outros radicalismos. Mas lá estava Janja, que fez discurso pedindo para trocar as armas pela Constituição nas mãos das crianças. Irônico, porque nunca se soube que ela tenha insistido com o marido sobre cumprir o juramento solene de defender a Constituição, quando tantas vezes a Lei Maior foi rasgada por mãos do Supremo e Lula ficou omisso e perjuro.
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Tristes figuras, lá estavam derrotados no primeiro turno: Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, além de Lula e Geraldo Alckmin. Vitoriosos vieram trazer seus eflúvios: Jerônimo Rodrigues, da Bahia; Rafael Fonteles, do Piauí; e Elmano de Freitas, do Ceará. Ao apresentar Elmano, Lula gabou-se do fato de o reeleito “enterrar a carreira” de Ciro Gomes. Provocou Ciro, que teve 2,5 milhões de votos no Ceará; agora, Ciro declarou que vai trabalhar por Flávio Bolsonaro, que teve 1,75 milhões e ganhou a chance de aumentar bastante seu acervo de votos no segundo turno, por estímulo de Lula.
O pior foi no fim. A explosão do ódio. Um jovem munido de um maçarico tocou fogo na bandeira americana; outro pisoteou o símbolo da maior democracia do planeta. Um jovem de torso nu e rosto coberto agitava uma bandeira palestina sobre o teto de uma estação de metrô que estava sendo vandalizada. Uma senhora foi retirada de uma lanchonete protegida pela polícia, porque estava sendo ameaçada. Os gritos contra ela são um aviso sobre o ódio que estava municiando as mãos que atacaram a estação do metrô. Não era gente pacífica. Era gente com ódio. Serviu como amostra: como na Paulista, assim no Brasil.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



