
Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, está agora contando bastidores da política brasileira – ele deve conhecer bem esses caminhos, porque já andou metido nisso, foi condenado, esperneou bastante. Agora está lá, gravando, e prestando um serviço porque está chamando a atenção para certas coisas. Ele disse que houve um bacanal – o termo é esse mesmo; não sei se Garotinho falou em “bacanal”, mas o que ele descreve é exatamente isso, com eslavas nuas. Vejam a ironia, porque “eslavo” é o que originou o inglês slave, “escravo”; alguns povos pegavam os eslavos como escravos, e agora pegam essas “escravas brancas” que vêm lá do Leste Europeu. Elas estavam nuas, segundo o Garotinho, só com capacete de astronauta. E os convidados dessa festinha? Autoridades dos três poderes, deputados, senadores, ministros...
Segundo Malu Gaspar, a “noite das astronautas” aconteceu na suíte presidencial de um hotel em Nova York e custou quase R$ 4 milhões, pagos por Daniel Vorcaro, esse grande anfitrião – ou poderíamos chamar de “cafetão”? A história da festa já era conhecida; a novidade é que Garotinho afirma que há um vídeo, que ele tem esse vídeo, e que já está nas redes sociais. Eu fico imaginando a situação das mulheres desses homens que lá estavam, mas especialmente nos filhos, que, quando virem isso, passarão a conhecer os pais.
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Isso foi para o Tribunal de Contas da União (TCU), que não encontrou nenhum dinheiro público bancando isso e, portanto, não podia fazer nada. Mas a Constituição diz, no artigo 37, que o serviço público nos seus três níveis (municipal, estadual e federal) e nos três poderes (Legislativo, Executivo, Judiciário) tem de obedecer ao princípio da moralidade; qualquer pessoa que contrarie esse princípio está violando a Constituição e, teoricamente, teria de deixar o serviço público, seja o cargo eletivo ou não.
Vereador do PT preso pediu afastamento para escândalo não respingar no partido?
O vereador Senival Moura, de São Paulo, que estava no sexto mandato e é presidente da Comissão de Transportes da Câmara, está preso, por suspeita de ligação com o PCC, usando uma empresa de ônibus chamada Transunião; há acusações de homicídio de um ex-diretor da Transunião, tudo com o PCC no meio. Agora, ele pediu afastamento do PT. Decerto alguém lhe disse que vai prejudicar o Lula na eleição, vão pensar que o PT tem ligação com isso, já que ele estava tendo um “diálogo cabuloso”, como disse uma vez um preso do PCC que foi grampeado, lá em 2019: “Os caras [o governo Bolsonaro] tão no começo do mandato dos cara, você acha que os cara já começou o mandato mexendo com nois irmão. Já mexendo diretamente com a cúpula, irmão. (…) Pra você ver, o PT com nóis tinha diálogo. O PT tinha diálogo com nóis cabuloso, mano”, dizia o detento.
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Por que o governo federal se ocupa tanto em expulsar de suas terras plantadores de cacau, de milho, criadores de gado suíno e gado bovino no Pará? São famílias inteiras, e dá uma pena enorme, porque queimam as máquinas, o gado some, às vezes há agressões, até já houve um revide. E só agora – o Fantástico mostrou domingo – descobriram o Comando Vermelho praticando garimpo (algo que o pessoal da Amazônia já sabia) em uma extensa área da nação Nhambiquara, na terra dos Sararé, no oeste do Mato Grosso. É um ouro que sai ilegalmente do país, e em troca entram armas bem modernas e drogas. Uma extensa área foi destruída; a polícia chegou de surpresa e encontrou lá 153 quilos de ouro, 4 toneladas de explosivos (usados para abrir caminho), 31 escavadeiras e 800 bombas hidráulicas. Foram presas 32 pessoas.
Mas tudo isso só aconteceu depois de três anos de funcionamento desse garimpo. E não é só Comando Vermelho; o PCC também está na Amazônia. E o governo, hipócrita, vem falar em “soberania”. É mais fácil retirar o trabalhador que vem do Ceará, do Piauí, do Maranhão, para produzir e ocupar. Território desocupado não é exatamente nacionalizado.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



