
Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal que se desincompatibilizou para ser candidato ao Senado, deveria ter ido à CPI do Crime Organizado no Senado nesta terça-feira. Todos querem saber por que ele queria tanto comprar o Master, a ponto de ter mobilizado sua bancada no Legislativo local, e conseguido aprovar a aquisição do Master pelo BRB, por 14 votos a 10 – agora ele lava as mãos, bota a culpa na oposição, no presidente do BRB que saiu. Mas ele não foi. Era o terceiro convite feito a Ibaneis, que recorreu ao ministro André Mendonça; o ministro respondeu que a presença era facultativa, que Ibaneis não é testemunha, nem investigado, só tinha sido convidado para falar a respeito da aquisição. E, então, Ibaneis não compareceu.
A CPI do Crime Organizado deu a Ibaneis a oportunidade para esclarecer tudo, mas ele não quis. Ele tem medo dessa oportunidade. É mais ou menos como o policial que para um motorista que tomou uma boa dose de uísque, e o motorista não quer soprar no bafômetro. O policial já sabe: se o motorista não quer fazer o teste, é porque tem alguma coisa.
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Supremo tem sido fundamental para atrapalhar as investigações das CPIs
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, disse – não com essas palavras – que contra o cidadão comum vale o Código Penal, vale o Código de Processo Penal, mas, nos casos de colarinho branco, de sonegação, de corrupção, de peculato, envolvendo agentes públicos, a lei fica fraquinha e não se consegue investigar. A queixa é muito grande. Alessandro Vieira, relator da CPI, afirmou que Alexandre de Moraes está atemorizando funcionários do Ministério da Fazenda – mais exatamente do Coaf, que controla movimentações de valores acima do normal – para intimidá-los. Como se sabe, esposas de ministros do Supremo já foram detectadas fazendo movimentações anormais.
Não nos esqueçamos de Dias Toffoli, que fez tudo para blindar o caso do Banco Master, escondendo as investigações. Vimos ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes impedindo a quebra de sigilo bancário e fiscal do Tayayá ou da Maridt, a empresa dos irmãos Toffoli. Por que essa proteção? A Constituição exige publicidade, exige transparência e exige moralidade no serviço público. E o patrão é o público – a não ser que não estejamos mais em uma democracia e não sejamos cidadãos, mas servos feudais. Mas não é assim: por enquanto somos cidadãos, a menos que queiram nos jungir. O público quer saber; os ministros não querem deixar, enterrando CPIs e derrubando quebras de sigilo. É praticamente uma confissão.
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Lula fará pobre fumante pagar mais imposto para o rico não sofrer com aumento da passagem aérea
Lula tirou o PIS-Cofins do querosene de aviação, e vai cobrar essa arrecadação perdida aumentando o IPI de quem compra cigarro. É um Robin Hood às avessas, porque hoje quem fuma geralmente é a pessoa mais pobre, e quem viaja de avião são os que têm melhores condições financeiras. Ou seja, é o mais pobre, com seu imposto, que vai segurar o preço das passagens aéreas, que subiria por causa da alta do querosene de aviação. É o pobre, mais uma vez, subvencionando a classe alta, por honra e glória do Estado brasileiro, que se mete em tudo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








