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Tenho lido, nos jornais, reportagens especulando como será o novo governo. Penso que deva haver algum engano, pois a maioria dos eleitores quis o mesmo governo; os que queriam um novo foram derrotados. A opção foi mais do mesmo. Continua o mesmo governo Lula, talvez com alguma pequena mudança entre seus auxiliares. Até agravando o peso para o pagador de impostos. Por exemplo, agora se fala em criar mais um ministério, o da Comunicação Digital, para André Janones ser o porta-voz digital do governo em vez de ser o que a eleição determinou: porta-voz de quase 79 mil mandantes mineiros, que lhe deram a procuração do voto. O governo se renova aumentando para 39 o número de ministros.
Além das promessas com que obteve votos, Lula não prometeu acabar com déficits ou endividamento, que causam inflação e juros altos. Portanto, não haverá cortes de gastos, a não ser para a Defesa, pois se sabe que soberania é apenas uma marca de fantasia. Cortes para as polícias federais, também, para provar que “acabar com a polícia” é um ato falho emergido das profundezas do inconsciente, assim como “ao final dos quatros anos, o Brasil acabou”. Déficit fiscal mais endividamento público é igual a inflação, juros altos e insuficiente crescimento econômico.
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Cortar despesas, nem pensar. O ministro Guilherme Boulos acaba de jogar uma pá de cal nos sonhos dos que acreditam em teorias econômicas de mercado, produtividade, iniciativa privada: “Tesouraço foi derrotado nas urnas. A agenda econômica é de quem ganhou”. José Guimarães completou: “Ajuste fiscal não está nas prioridades”. Foi essa a escolha da maioria. Cerca de 64 milhões de eleitores decidiram que assim será. Masoquismo ou não, essa foi a vontade da maioria expressa nas urnas, e assim será feito. A sorte está lançada, ainda que prejudique a todos, inclusive os 60 milhões que queriam mudar. O irônico é que uma parte desses 60 milhões tem como consolo que vai ganhar mais juros, oriundos da dívida pública. Os mais pobres vão pagar mais juros, turbinados pela dívida do governo.
Também foi decisão da maioria manter como donos do Estado os que se adonaram dele ao usar ministérios, empresas públicas e estatais para negócios com que se locupletam e financiam a manutenção do poder. Faz parte da ideologia em que o Estado, e não o povo, é o dono da nação. Esse só serve para dar os votos que fantasiam isso tudo de democracia. Eleição é o último ato da tomada de poder, entregue legalmente pelo voto. São velhos métodos que, graças à falta de conhecimento, chamam de novo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



