
Vejo gente insistindo que vamos ter um “novo governo”. Não! Foi reeleito o mesmo governo, será a mesma coisa, o gasto público vai continuar, a dívida pública vai aumentar, a inflação vai subir – segundo o Banco Central, está rumando para o dobro da meta, que é de 3%. O desequilíbrio nas contas públicas provoca inflação, que provoca desgaste da moeda, que provoca queda do poder aquisitivo do povo. E os juros sobem também: se o governo está devendo mais, tem de oferecer uma boa remuneração para atrair quem queira comprar os papéis do governo.
Não tem como não percebermos as contradições desse presidente reeleito, que já foi condenado por corrupção várias vezes, tendo mentido durante a campanha toda. Houve uma reunião com uma pequena equipe, incluindo Geraldo Alckmin e Dario Durigan, mas na saída só disseram que está tudo mantido. Como é que um ministério desse tamanho vai cortar gastos, com essa mania de achar que gastar significa estimular o crescimento do país, quando não é?
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Estamos vivendo um período de alta de impostos e queda de horas de trabalho. Sabemos o resultado dessa equação. É óbvio, e nós tememos esse óbvio; ficamos na esperança de que surja algo imprevisível, que o presidente finalmente se convença e diga “vamos cortar gastos públicos, vamos resolver a dívida pública”. É o melhor para todos, diante da possibilidade quase certa de piora.
Estrangeiro está tirando dinheiro da bolsa brasileira
Desde a reeleição de Lula, saíram quase R$ 8,5 bilhões de dinheiro aplicado não em rentismo, mas em ações de empresas brasileiras na bolsa. Esse dinheiro foi embora, talvez os investidores estrangeiros apliquem na bolsa do Paraguai, que em três dias resolveu uma grande crise bancária que afetou metade do país. Isso quer dizer que o caso de um certo contrato de R$ 129 milhões entre um certo banqueiro e um certo escritório de advocacia, da esposa de um certo ministro do STF, que apareceu em 9 de dezembro do ano passado, deveria estar resolvido até o dia 12 de dezembro; em vez disso, já se passaram 11 meses. O Paraguai ganha com facilidade de Brasília.
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Eleições legislativas não mudam nada sobre vários poderes de Trump
Tenho visto algumas análises sobre Donald Trump e as midterms que perderam o rumo. Foi uma eleição legislativa. O Congresso americano faz as leis, libera verba orçamentária, aprova ou barra propostas do governo, instala comissões de inquérito. Mas o Congresso não é o Poder Executivo dos EUA. O Executivo ainda é comandado por Trump, e é ele quem tem poderes de fazer a política externa, de aplicar tarifas no comércio exterior, de aplicar punições da Lei Magnitsky a qualquer pessoa do mundo, de fazer acordos com países vizinhos para se proteger na segurança pública, de exigir que países tenham a boa vontade de considerar como terroristas as suas facções criminosas, de receber exilados políticos, de dar asilo, de tirar ou conceder vistos. Isso tudo é competência do Executivo, não do Legislativo; e foi para o Legislativo que houve eleição, vencida pelos democratas.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



