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A decadência da família tradicional talvez explique casos de infanticídio.
A decadência da família tradicional talvez explique casos de infanticídio.| Foto: Reprodução/ Instagram

Às vezes, só para deixar o meu pai vermelho, esbravejando de dedo em riste, digo que o meu irmão mais velho é mais bonito do que ele. Em geral funciona e ele diz coisas como: “Com trinta anos, eu era o bell’Antonio!”, em alusão a Marcello Mastrioanni. Meu irmão dá um sorrisinho, garante que é o mais bonito e ele suspeita, enfim, que estejamos de pirraça.

Já o nosso primo mais velho é um enfático defensor dos gloriosos trinta anos do meu pai.  Conta que as donas de casa de Vila Valqueire ficavam a postos em suas muretas e janelas, como se não houvesse louça para lavar nem roupa para passar, esperando o horário de meu pai passar de bicicleta, com um shortinho ínfimo, exibindo o físico torneado e bronzeado. Ele ia até Copacabana pedalando, feito de que nenhum fracote é capaz. Por aquelas bandas onde ninguém o conhecia, ele apresentava o filho que criava sozinho, abandonado pela mãe. O “filho” era esse primo, que confirmava tudo mediante bombons. Assegura que a tática era um sucesso e todas ficavam derretidas.

Homens e mulheres são diferentes

Digamos agora que uma mulher fosse fazer a mesma coisa. Exibir pernas torneadas de shortinhomínimo funciona? Funciona. Homem adora olhar, gosta mais que mulher. Mas se uma mulher linda e sedutora de repente apresentar o Enzo Gabryel, abandonado pelo pai, na certa teríamos um anticlímax. Ela poderia continuar desejada, claro, mas apesar do Enzo Gabryel.

Homens e mulheres são diferentes. Fazer filho é muito fácil para os homens; criar é que é caro. Com as mulheres, ter filhos já é difícil desde a gravidez, pois requer alguém que cuide dela. Nossas antepassadas não eram mulheres empoderadas que dispensavam o “macho tóxico” e iam caçar mamute com barrigão de nove meses acompanhadas de crianças pequenas. Alguém fazia o trabalho duro enquanto elas cuidavam da família. Escolher um homem errado e ser deixada grávida ou com crianças já significou morte certa. Por isso, não é de admirar que nossa moralidade ponha sobre as mulheres o ônus de escolher bons homens. Quando uma mulher tem um filho sem pai, ela se mostra um fracasso sob esse aspecto. Já quando um homem mostra que sustenta um filho sozinho, ele sinaliza as virtudes de provedor e cuidador. Além de caçar mamutes, é um sujeito amoroso, em vez de brucutu violento: um sucesso.

Como vivemos numa sociedade complexa de índole humanitária, as mães solteiras não foram condenadas tout court. Entre nós, no Brasil, pode-se dizer que a mãe solteira batalhadora era uma heroína no imaginário popular: glorificávamos aquela mulher que, a despeito de um erro do passado, conseguiu se superar, trabalhou duro e criou filhos direitos. Essa era uma história de superação, não se confundia com uma apologia da “produção independente”.

Ter filho hoje é mole para mulher

Mas recentemente entraram em cena algumas mudanças. A primeira é a vulgarização do feminismo pós-moderno, que vê a mulher como uma eterna vítima e portadora de inesgotáveis direitos. Não se espera heroísmo ou trabalho duro das mulheres. Vejam que a apologia da emancipação pelo trabalho é da boca para fora.

As filósofas e intelectuais do feminismo, sobretudo do feminismo negro, aparecem em revista feminina e propaganda de maquiagem. As colunas de feminismo se dedicam a comentar BBB. Na hora de procurar um emprego, botam o livreto de Djamila no sovaco e choram, ao estilo Tábata Amaral, por “representatividade”. Não é para contratá-las por suas qualidades excepcionais, por sua competência atestada, senão por serem mulheres. E depois devem choramingar para ganhar cargo de chefia com o mesmo embasamento.

Qual é o propósito de vida dessas pessoas? Certamente não inclui família. Devem querer uma vida que renda fotos a serem ostentadas no Instagram. O pináculo deve ser sair maquiadona em capa de revista feminina.

A vulgarização desse pensamento trouxe mudanças na legislação. O homem continua intacto na posição tradicional de provedor, mas, fora de casa, foi degradado a carteira ambulante. A mulher engravida de qualquer estrupício, tendo a certeza de que a mão forte do Estado irá obrigá-lo a fazer um teste de DNA e pagar pensão. E, se nem ele nem os pais dele tiverem como pagar alguma pensão, ela ganhará auxílio do governo.

Assim, o lar fomentado por essa mudança de leis e de mentalidades é o da mãe com seu Enzo Gabryel (nada de homenagear pai, avô ou santo, o negócio é botar um nome “diferente” pra ficar “na moda”, ou seja, igual), dizia eu, a mãe, o Enzo Gabryel e o padrasto rotativo.

Família britânica

A apologia da “produção independente” não veio das classes populares. É coisa de elite, de mulher muito rica, que podia inclusive pagar por inseminação artificial quando o custo era exorbitante (e não é baratinho hoje). Outrossim, essa ideia de que mulheres não devem depender de família para ter filho vem de país rico.

Os brasileiros masoquistas e antipatrióticos que adoram falar mal da própria terra deveriam ler o cronista Dalrymple, pseudônimo de um médico de presídios e hospitais públicos ingleses. Segundo ele, o mundo rico usa um conceito meramente comparativo de pobreza, coisa que torna impossível o fim da pobreza enquanto houver umas pessoas com mais dinheiro do que outras. Assim, em vez de pobres, os ingleses têm a underclass: gente que recebe um cheque mensal para comprar comida, que mora em apartamentos estatais mobiliados, que passa o dia numa escola pública vagabunda para sair ignorante semialfabetizado (passa o dia inteiro, não um turno, como no Brasil), e não tem mais o que fazer da vida além de assistir a TV, ir à balada, transar e usar drogas. Cometem crimes para custear o vício, mas a polícia não quer registrá-los para não mexer nas estatísticas (lembrem que a existência da “população carcerária” é uma coisa ruim em si mesma). Ademais, se houver um imigrante na história, será péssimo dar margens a acusações de racismo.

Lá Dalrymple observou essa nova estrutura familiar: mãe, filhos de vários pais, padrasto rotativo. Homem e mulher se conhecem na balada, sentem tesão e procriam. Quando o bebê nasce, o homem fica de saco cheio daquela trabalheira toda e vai embora. Em seguida aparece outro, que pode repetir o ciclo – por isso os irmãos dificilmente têm o mesmo pai. Os homens têm um único meio de fazer as mulheres passarem o dia pensando neles: surrando-as das maneiras menos previsíveis, de modo que elas ficam tentando entender o motivo das surras e tentando descobrir como agradar o homem para evitá-las.

Quanto às filhas, as mães vão enxergá-las como concorrentes. Os padrastos rotativos vão pôr olhos nas filhas e as mães, que vivem por homem, vão culpá-las do eventual estupro, vão cedê-las para agradar o homem, ou vão expulsá-las de casa por ciúmes. Quanto aos filhos do sexo masculino, mais cedo ou mais tarde brigarão com o padrasto e, entre o macho rotativo e o filho, a mulher não hesita: escolhe o macho rotativo. Aí o filho é expulso de casa.

Classes mais abastadas

Então estamos assim: para as mulheres de qualquer classe social, a maternidade representa um potencial ganho pecuniário mensal, quer o queiramos, quer não. Digamos que eu me case com um endinheirado e engravide. Digamos agora que meu marido tenha uma súbita queda do nível de vida. A lei me dá, então, a possibilidade de me divorciar dele, arrancar um tanto de seus combalidos bens (enquanto ele os tem), mais a chance de ganhar uma mesada para supostamente bancar o moleque (supostamente, porque ninguém audita e eu nem consigo imaginar o que a mãe dos filhos de Giba faria com aquela dinheirama). Mesmo eu estando cônscia de que nunca farei isso, o fato é que a lei brasileira me dá esse direito. Se um homem cair nas mãos de uma mulher mau caráter, o estrago é grande – daí não ser de admirar que eles estejam meio doidos, com medo de flertar e de constituir família.

Vamos agora ao caso da moda, do menino Henry. Antes desse caso, teve o do menino Rhuan, cujas torturadoras eram duas mães lésbicas que colecionavam pensão e que o executaram após a pensão ser suspensa. Depois do caso do menino Henry, sabe-se lá quantos casos mais não haverá, mas o certo é que haverá mais. Primeiro, porque o mal existe na natureza humana. Segundo porque as leis estimulam a maternidade de mulheres de mau caráter.

Vamos à vida financeiro-amorosa de Monique Medeiros. Segundo esta reportagem, era uma moradora da Zona Oeste carioca que passou em Letras na UFRJ e estudava na Ilha do Fundão. Por mais prestígio que tenha a UFRJ, sair da Zona Oeste e ir para o Fundão de transporte público leva pelo menos duas horas, ou levava, antes do BRT. É uma mão de obra para chegar a um lugar cheio de estupro e tiroteio, após atravessar o Complexo da Maré.

Ela achava gente para dar carona a ela, até que conheceu o pai de Henry, que a levou para a casa dele e passou a pagar uma faculdade particular para ela. O marido passa por turbulências financeiras, a pandemia mantém todo mundo dentro de casa e eles se separam. Ela fica então com esse político Jairinho, que a põe de aspone e faz seu salário passar de 4 mil para 16 mil. A profissão anterior era a de professora escolar.

Ao que parece, o homem tinha tara por espancar criança (pois uma ex-namorada já havia denunciado), e não é impossível que selecionasse namoradas com um Enzo de propósito. A perda do filho, posta na ponta do lápis, implicava a perda da pensão. E a perda do Dr. Jairinho implicaria uma perda de 12 mil reais. Como a pensão certamente não chegava a tanto, não tem nem o que pensar.

Mas – perguntará o leitor – por que essas mães não dão os filhos para a avó criar? Porque aí perde a pensão, ora. Se der para a adoção, perde a pensão também. As leis feitas para salvaguardar mulheres precisam ser revistas, pois estão sacrificando as crianças.

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