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O cinema brasileiro ganha um novo capítulo com o documentário A colisão dos destinos, dirigido pelo cineasta Doriel Francisco, que concede entrevista à coluna Entrelinhas. A produção percorre a trajetória de Jair Bolsonaro da infância à chegada ao Palácio do Planalto, apostando em um retrato construído a partir de lembranças familiares e relatos íntimos.
A realização esteve longe de ser simples. Sem apoio financeiro externo, o projeto foi viabilizado de forma independente. “O filme não tem um real de patrocínio. Todo o investimento é nosso”, pontua. A escolha da equipe também seguiu um critério específico. “Busquei profissionais alinhados com os valores do presidente”, relata.
Um retrato pessoal e sem filtros
Sem antecipar momentos-chave da narrativa, Doriel resume a proposta: “A mensagem principal é o Jair, o nosso presidente Jair Messias Bolsonaro, como ele de fato é”, explica. A construção desse retrato passa, sobretudo, por quem conviveu com ele ao longo da vida. “É um documentário que mostra o presidente numa perspectiva bem familiar, numa perspectiva íntima de quem mais o conhece”, comenta, citando as irmãs, o irmão e os filhos como vozes centrais da obra.
O diretor ressalta que o material reúne conteúdos inéditos e emocionalmente carregados. “A gente traz depoimentos sensíveis, mas verdadeiros, e você percebe como essa família é unida”, observa. As primeiras exibições já indicam uma boa conexão com o público: “O filme está gostoso de ver, e a reação de quem assistiu tem sido muito positiva”.
De acordo com o diretor, houve emoção e reconhecimento ao assistir ao resultado final. “Eles disseram que o resultado superou as expectativas e que o filme traduz bem a história que viveram”, relata.
Participação de Bolsonaro
O próprio Bolsonaro foi entrevistado apenas na fase final. “Deixar o presidente por último acabou sendo uma vantagem, porque já existia uma base sólida de conteúdo”, lembra. Isso permitiu uma abordagem mais espontânea durante a conversa. “A conversa fluiu de forma leve, respeitando o jeito dele”, completa.
Produção independente e barreiras no mercado
As dificuldades se intensificaram na etapa de distribuição, especialmente diante do cenário cultural brasileiro, que o cineasta enxerga como predominantemente alinhado à esquerda. Segundo ele, houve resistência por parte de grandes empresas do setor. “Quando a gente apresentou o projeto, houve interesse inicial, mas, na hora de avançar, muitas portas se fecharam”, conta. Em alguns casos, a desistência teria sido motivada por receio de repercussões. “Existe um medo real dentro do setor”, avalia.
Esse contexto levou a equipe a assumir também a distribuição do filme. “Foi uma necessidade. A gente percebeu que, se não fizesse isso, o filme simplesmente não chegaria ao público”, comenta. Para ele, há uma barreira estrutural que dificulta a entrada de produções com posicionamento político diferente do predominante no meio cultural. “É um ambiente muito restrito, que não abre espaço com facilidade”, analisa.
O desafio de retratar uma história recente
Outro ponto delicado foi lidar com a proximidade temporal dos acontecimentos retratados. A solução envolveu pesquisa extensa e um processo de gravação progressivo. “A gente mergulhou em materiais, histórias e relatos antes de começar a filmar”, explica.
Estreia e expectativa do público
Com pré-estreias realizadas e outras programadas, o longa se prepara para o lançamento nacional. “Dia 14 de maio o filme entra em cartaz no Brasil inteiro”, informa. Ao mesmo tempo, ele incentiva o público a participar ativamente desse processo. “Se o filme não estiver disponível na sua cidade, vale questionar e demonstrar interesse”, sugere.
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