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Nesta semana, o senador Sérgio Moro (PL-PR) migrou do União Brasil-PP para o Partido Liberal, após firmar aliança com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência. A mudança reacendeu o debate sobre a formação de alianças e gerou movimentos internos nos partidos. Nesta entrevista exclusiva à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, o pré-candidato a governador do Paraná comenta sobre esses temas, as saídas recentes de membros do partido e os planos futuros para sua atuação política.
Entrelinhas: Começamos com o assunto que ganhou enorme destaque na política nacional: a sua migração para o PL e a aliança com o Flávio Bolsonaro. Como isso se deu nos bastidores?
Moro: No segundo turno das eleições de 2022, acompanhei o presidente Jair Bolsonaro nos debates, porque fui convidado. Mesmo ele não tendo me apoiado para o Senado, o que é natural, eu via que a eleição do Luiz Inácio Lula da Silva seria uma tragédia moral e econômica para o Brasil.
A partir daquele momento, o próprio presidente disse que nossas divergências estariam superadas, e eu procedi da mesma forma.
Recentemente, o PL me procurou com convite para disputar o governo do Paraná, e construímos esse projeto com dois objetivos: proteger o estado e contribuir com a vitória presidencial. Flávio Bolsonaro é um candidato consolidado para derrotar o Lula. É um projeto nacional e estadual.
Entrelinhas: O senhor já mencionou que houve tentativas de sufocá-lo politicamente. O senhor acredita que Ratinho Jr. teve algum papel nessas tentativas ou que influenciou o ambiente político de alguma forma?
Moro: Aqui quem decide as eleições é o povo. As pesquisas me apontam com até 48%. Ainda há muito tempo, toda eleição é difícil, mas as chances são boas. O político se testa nas urnas.
Ficar tentando tirar a agenda dos outros é uma prática reprovável e a população não concorda com isso.
Existe uma pressão da máquina pública para evitar apoio à minha pré-candidatura, mas estamos tranquilos.
Entrelinhas: Após essas mudanças, alguns membros do partido têm deixado o PL, como o deputado Giacobo, que deixou a liderança local. Qual é a avaliação do senhor sobre esse movimento e o impacto que ele pode ter para o futuro do partido?
Moro: Eu vejo que em qualquer partido há momentos em que algumas pessoas decidem seguir outros caminhos. O que precisamos é manter a coesão em torno das nossas ideias e do nosso projeto. Não considero que essas saídas comprometam o partido, porque o PL continua forte, com uma base sólida de lideranças comprometidas e com uma visão clara do futuro.
Foi decisão do presidente do partido expulsar quem queria romper acordo. Não é uma figura relevante para gerar preocupação.
Ao final do processo, o PL no Paraná estará mais forte, com perspectiva de eleger governador, senador e uma grande bancada.
Entrelinhas: Como fica a situação da Cristina Graeml, que estava com o senhor no União, dentro desse cenário?
Moro: A Cristina é uma grande representante da direita e é bem-vinda no PL.
As duas vagas do Senado estão pré-definidas com o Filipe Barros e o Deltan Dallagnol. Se houvesse uma terceira vaga, seria dela. É uma pessoa de valor.
Entrelinhas: Ainda sobre essa questão de aliança e união da direita, existem conflitos nos bastidores e discussões frequentes. Com a desistência do Ratinho Jr., voltou-se a falar sobre a possibilidade de uma terceira via. Muitos avaliam que há cada vez menos espaço para isso no Brasil. Como o senhor vê a possibilidade de surgir um outro nome como terceira via e se isso pode prejudicar a direita e favorecer o Lula?
Moro: Não vejo chance para uma candidatura de terceira via. A polarização está estabelecida e é preciso definir quem apoiar.
Meu pré-candidato é o Flávio Bolsonaro. Lula nunca.
Entrelinhas: O senhor disse que a eleição de Lula teria sido ilegítima. Pode explicar?
Moro: A referência foi à expressão que usei, "eleição entre aspas". Lula foi eleito com base na afirmação de que teria sido inocentado, o que não ocorreu.
As condenações foram anuladas pelo Supremo, mas sem julgamento de mérito que o declarasse inocente.
Nunca questionei urnas eletrônicas. Fui eleito por esse sistema.
Entrelinhas: Após muita pressão e com alguns vetos, Lula sancionou o PL Antifacção. Na sua opinião, foi uma decisão eleitoreira?
Moro: Lula descobriu que existe algo chamado "segurança pública" no final do mandato dele. O PT sempre teve uma política de defender criminosos.
O PL Antifacção é um avanço, creio que tem mais a fazer, tem muito mais a fazer em relação a isso, mas pelo menos nós vamos mais um passo na direção certa. O texto que foi aprovado e o que virou lei é muito diferente do projeto inicial do governo.
O governo Lula inicialmente mandou um projeto que tinha até uma proposta que reduzia a pena para integrante do crime organizado. Graças ao trabalho da oposição também, esse texto não prevaleceu e o texto que foi aprovado com a relatoria do deputado Guilherme Derrite é muito melhor.
Entrelinhas: Qual é o seu plano para segurança pública no Paraná?
Moro: O objetivo é fazer do Paraná o estado mais seguro do país. Não é possível conviver com guerra de facções ou crimes graves sem resposta.
O projeto é alcançar excelência em segurança, educação, saúde e infraestrutura.
Entrelinhas: Como o senhor avalia o trabalho do ministro André Mendonça na relatoria dos escândalos do INSS e do Master?
Moro: O ministro André Mendonça tem atuação firme e técnica.
A Lava Jato demonstrou que é possível combater a corrupção. Quando isso é interrompido, os problemas retornam.
É necessária vigilância constante da sociedade e da imprensa.
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