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A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja
A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja| Foto: Claudio Kbene/PR

Quem tem medo de Elon Musk? Janja da Silva anunciou aos quatro cantos que não tem medo de Musk, ainda que ninguém tenha lhe perguntado absolutamente nada. No último sábado (16) durante um evento de influenciadores relacionado ao G20, a indefectível primeira-dama xingou o bilionário sul-africano: "Eu não tenho medo de você. Inclusive, fuck you, Elon Musk”, disse Janja, se contorcendo no palco para uma plateia atônita que quase não disfarçou o constrangimento. Ela inaugurou a diplomacia de estridência. Ao contrário de Ruth Cardoso, que era uma intelectual renomada, e por isso tinha luz própria, e também de Marisa Letícia, que era discreta e não abria a boca, Janja parece ter a necessidade de aparecer, repercutir e se afirmar como alguém que também “pensa”.  É hoje uma sub-celebridade do poder, e só causa problemas.

A função de primeira-dama não é cargo oficial. É apenas uma designação protocolar que passou a ter atribuições institucionais. Ninguém vota na esposa ou no marido de quem está na Presidência. Mas, mesmo assim, é da tradição política que o núcleo familiar de quem exerce a função executiva também acabe sendo envolvido em atividades políticas correlatas, como se fosse até mesmo extensão do titular.

De modo que, quando Janja fala, como o fez em relação a Musk, fala, de certa forma, como se também fosse Lula. Ninguém lhe daria a menor importância se não fosse a esposa do presidente. Sendo, e tendo tamanha influência no dia a dia do Palácio da Alvorada, ela conseguiu criar uma crise diplomática com o futuro governo americano.

Quem na administração Lula é capaz de conversar com Marco Rubio, que será o chefe da política externa do governo Trump? Na certa não Janja, que só tem interlocução com Felipe Neto

Elon Musk é, desde já, o segundo nome mais importante da administração Trump. Foi peça fundamental em sua vitória e ocupará função de destaque no gabinete. Um ataque vindo do núcleo duro do governo brasileiro é, portanto, um ataque ao governo com quem nosso país precisará ter boas relações. A fala de Janja sobre Musk, é verdade, não foi mais grave do que as declarações de seu marido para uma emissora de TV francesa pouco antes do resultado da eleição norte-americana, quando resolveu achar prudente manifestar sua preferência por Kamala Harris, que acabou derrotada.

Já antes da eleição nos Estados Unidos, não havia pontes entre o governo petista e a nova liderança Republicana no entorno de Donald Trump. Em uma coluna recente publicada na Gazeta do Povo, escrevi que, ao invés de fazer torcida na imprensa internacional, Lula deveria trabalhar para estabelecer elos comunicantes. Se o corpo diplomático técnico do Itamaraty já trabalhava nesse intento desde a repercussão negativa da entrevista do presidente, o esforço foi torpedeado por Janja.

A fala da primeira-dama foi tão negativa que nem Lula ficou indiferente. O presidente veio a público em pelo menos duas vezes fazer referências indiretas ao episódio. Primeiro para condenar xingamentos feitos por integrantes do governo, depois para defender uma relação pragmática entre Brasil e Estados Unidos. Não pareceu muito convincente. Até porque, na prática, nem ele mesmo tem contribuído para avanços efetivos. Quem em sua administração é capaz de conversar com Marco Rubio, que será o chefe da política externa do governo Trump? Na certa não Janja, que só tem interlocução com Felipe Neto.

Conteúdo editado por:Jocelaine Santos
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