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Um dos maiores debates que tenho mantido com amigos à direita refere-se à natureza da ameaça representada pela esquerda atual. Alguns amigos tendem a pensar a ameaça de esquerda como sendo apenas parte de uma disputa eleitoral ordinária, em que os progressistas se apresentam com o mesmo autoritarismo e intervencionismo de sempre.
É bem verdade que eles reconhecem que, com a hegemonia de esquerda dominando diversos setores da sociedade – como mídia, academia e Judiciário –, o risco apresenta-se maior que em outras épocas; mas segundo eles, ainda assim, não haveria grandes mudanças em relação à essência da ameaça progressista.
Outros tendem a encontrar uma ou outra pauta exagerada na esquerda atual, em especial pautas relacionadas à chamada “agenda woke”. Denunciam o policiamento do discurso, o benefício excessivo a grupos protegidos (em detrimento dos direitos básicos a outros grupos), a perseguição à direita na academia, enfim, uma série de pautas relacionadas à agenda esquerdista atual; mas, ainda assim, tendem a subestimar o problema que a esquerda representa, como se essa agenda fosse parte de uma rebeldia juvenil que certamente será passageira. Alguns inclusive têm dito que a agenda woke já está se desvanecendo, como os hippies, grunges e outros lifestyles de outras épocas.
Neste momento de avanço do extremismo de esquerda, e considerando-se também a época eleitoral no Brasil, é esse o tipo de clareza que se espera dos líderes no Ocidente: que reconheçam a ameaça neocomunista e a sua violência política
Como já escrevi anteriormente aqui nas minhas colunas, penso diferente: creio que a ameaça esquerdista atual tem natureza e risco completamente diferentes, reeditando o avanço do comunismo de cem anos atrás. Vivemos numa época de ressurgimento da ameaça comunista, com tudo aquilo que ele representa: destruição do padrão moral do Ocidente, imposição do pensamento escatológico rumo à utopia progressista, e interdição da democracia e das liberdades individuais fundamentais.
Apesar de uma letargia geral na identificação dessas ameaças, alguns líderes do Ocidente têm enxergado a natureza e a magnitude reais do risco do comunismo atual. Na Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político – organizada pelo governo dos Estados Unidos –, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discursou acerca da ameaça representada pela esquerda, em especial com sua violência política.
Rubio comenta, no início do seu discurso, que mesmo os think tanks, as consultorias, os periódicos e demais institutos dedicados ao estudo do extremismo consideram apenas o terrorismo político da extrema-direita como sendo realmente terrorismo, como sendo realmente ameaça ao sistema político norte-americano; mas quando é “uma bomba plantada por um revolucionário marxista, aí é só um mero excesso trágico de idealismo. Talvez os seus meios tenham sido inapropriados ou com excesso de zelo, mas seus fins foram íntegros e justos”.
Após dar vários exemplos desse tipo de padrão duplo de julgamento, Rubio diz que isso é até pior que um padrão duplo; a violência política da esquerda tem sido não apenas perdoada e justificada, como também tratada como “sacrossanta”, como uma coisa a ser protegida. Esse é o tipo de coisa que, segundo o secretário de Estado, precisa acabar.
Essa violência política de esquerda é um mal “que sempre foi provocado, acima de tudo, por um ódio à civilização; é uma revolta dos piores contra os melhores, uma revolta dos fracos e covardes contra os fortes e bons. É perpetrada por aqueles que não conseguem construir, não conseguem criar, não conseguem alcançar grandes conquistas, e se vingam do mundo por sua própria inaptidão, tentando destruir aqueles que conseguem”.
Apesar de usar vários nomes – anticapitalistas, anarquistas, anti-imperialistas etc. –, o seu caráter fundamental é sempre o mesmo: “um ressentimento venenoso, disfarçado na linguagem da igualdade, justiça e liberação; uma necessidade irresistível de demolir o que grandes homens construíram, destruir o que é belo e o que é justo”.
Neste momento de avanço do extremismo de esquerda, e considerando-se também a época eleitoral no Brasil, é esse o tipo de clareza que se espera dos líderes no Ocidente: que reconheçam a ameaça neocomunista e a sua violência política, sem receios de abordar esse tema em meio à hegemonia do progressismo, por mais avassaladora que seja.

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



