Publicidade
José Fucs

José Fucs

Campanha

O “terrorismo” contra Flávio e a direita vai muito além das fake news

Flávio Bolsonaro durante missa na Catedral de Brasília neste 12 de outubro: fake news teve impacto reduzido.
Flávio Bolsonaro durante missa na Catedral de Brasília neste 12 de outubro: fake news teve impacto reduzido. (Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro)

Ouça este conteúdo

Depois da fake news de que, com a eleição de Flávio Bolsonaro, Nossa Senhora Aparecida deixaria de ser a padroeira do Brasil, propagada pelo próprio presidente Lula, pelo PT e por seus aliados, era difícil imaginar que a onda de mentiras que marcou a reta final da campanha no primeiro turno pudesse piorar.

Mas, assim que o TSE declarou o resultado da fase inicial do pleito, colocando Flávio na liderança, Lula e sua tropa de choque resolveram dobrar a aposta no vale tudo, para tentar virar a disputa no segundo turno, o que ainda é possível, embora pareça improvável no momento.

Diante da perspectiva concreta de deixar o poder e com o orgulho ferido pela derrota parcial para o filho do “coiso”, que é como Lula chama o ex-presidente Jair Bolsonaro, eles passaram a espalhar mentiras em série contra Flávio e seu grupo político. A onda virou um tsunami e, quando o TSE se movimentou para conter as fake news difundidas pelos petistas, Lula ainda reclamou na caruda, como se diz por aí, afirmando que o tribunal está favorecendo seu adversário.

Até para os padrões indecorosos estabelecidos pelo PT ao longo dos anos, a campanha suja movida agora por Lula e sua turma contra Flávio, centrada na “estratégia do medo” contra as supostas medidas que ele tomará se confirmar sua vitória, está batendo todos os recordes de desonestidade e baixaria. Por ironia, até ontem ou anteontem, eram justamente eles que pregavam de forma contundente contra a difusão de “desinformação” nas redes e defendiam sua criminalização.

“Nunca vi uma campanha tão mentirosa na minha vida”, afirmou o governador paulista, Tarcísio de Freitas, reeleito em primeiro turno, durante um encontro com prefeitos e vereadores da Região Metropolitana de São Paulo, realizado no domingo, 11 de outubro.

Fim do Pix

As fake news “do bem” – aquelas que Lula e o PT julgam ter licença para propagar – multiplicam-se nos atos de campanha, nos programas eleitorais, nas declarações à imprensa, nas redes sociais e até em panfletos distribuídos nas ruas, como nunca se viu antes na história deste país.

Do fim do Pix ao corte do aumento real para o salário mínimo e ao congelamento das aposentadorias; da imposição de uma jornada de sete dias de trabalho por semana à redução de direitos trabalhistas e à privatização do SUS, as mentiras disparadas por Lula e sua turma contra Flávio parecem não ter limite.

A coisa chegou a tal ponto que o TSE determinou outro dia a suspensão de uma peça de propaganda de Lula que mencionava uma investigação contra Flávio por corrupção e lavagem de dinheiro, em decorrência de seu suposto envolvimento no escândalo do Banco Master. A suspensão também levou em conta que a peça explorava uma acusação por estupro de vulnerável contra seu vice, Alfredo Gaspar, feita pelo deputado petista Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke, do PSB, ignorando que o pedido de investigação foi arquivado pelo STF por falta de provas.

O TSE determinou também a remoção de publicações realizadas nos perfis de Lula que abordavam supostos cortes de benefícios sociais a serem realizados pelo candidato do PL. A primeira-dama Janja da Silva, por sua vez, teve de apagar postagens em que abordava o hipotético fim do programa Farmácia Popular e o alegado domínio do crime organizado num eventual governo Flávio.

Isso sem falar no imbróglio causado no TSE pelos questionamentos contra o canal “Exército de Lula” no WhatsApp, ainda pendentes de decisão definitiva do plenário. Criado recentemente pelo deputado federal André Janones, do Rede, o canal, que tem mais de três milhões de seguidores, é acusado de propagar fake news em série contra Flávio e de apagá-las depois.

Virada no resultado

A menos de duas semanas para o segundo turno, é difícil dizer se essas mentiras todas de Lula, do PT e de sua turba vão levar a uma virada no resultado do primeiro turno, como eles desejam. Apesar do histórico controverso na arena política e das adversidades que enfrentou durante a campanha, reforçadas pela má vontade da mídia amiga, Flávio demonstrou uma resiliência surpreendente não apenas ao manter sua candidatura competitiva até o fim como ao chegar à frente de Lula, contrariando o que previam quase todas as pesquisas.

A votação expressiva que ele conquistou parece indicar que, hoje, os eleitores estão mais “vacinados” contra as campanhas de fake news difundidas pelo PT contra seus adversários – uma prática que se repetiu em praticamente todas as eleições presidenciais disputadas no país desde a redemocratização.

Parece também que, hoje, o sentimento antipetista que contagiou uma parcela expressiva da sociedade o favorece, ampliando sua base além do bolsonarismo. Mesmo votando em Flávio de nariz tapado, muitos eleitores o consideram como um “mal menor”, diante da possibilidade de Lula conquistar seu quarto mandato e de a crise no STF – que tem o ministro Alexandre de Moraes como pivô, pelas suspeitas de suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas envolve também alguns de seus colegas – acabar em pizza.

Há, ainda, a alta do custo de vida, o endividamento recorde das pessoas e das empresas, o escândalo do Banco Master e as fraudes bilionárias contra os aposentados do INSS, que turbinam o desejo de mudança do eleitorado. Agora, só vai dar para ter certeza de que isso será suficiente para levá-lo ao Palácio do Planalto na hora em que terminar a apuração e ele sair vencedor, antecipando o fim da trajetória política de Lula e defenestrando o PT do poder.

Reta final

A questão é que o “terrorismo” promovido contra Flávio vai muito além das fake news propagadas por Lula, pelo PT e pela militância. Talvez, esses outros fatores sejam até mais danosos para ele na reta final da campanha e em seu eventual governo, caso saia vitorioso das urnas em 25 de outubro, do que as mentiras petistas.

Embora Flávio tenha o apoio dos governadores dos principais estados da Federação e o PL tenha conseguido eleger as maiores bancadas do Senado e da Câmara, refletindo o suporte à sua agenda, já é possível detectar uma tremenda resistência contra ele fora das fileiras do lulopetismo – especialmente entre as viúvas do tal centro democrático e da centro-esquerda, que não têm voto para lançar candidato próprio à Presidência, mas têm forte influência na velha mídia e na formação da opinião pública.

Apesar de terem passado os quatro anos do atual mandato de Lula criticando o governo, esse pessoal acaba se aliando a ele na hora h, como já aconteceu em 2022 e como está acontecendo agora de novo. No fundo, como os petistas de carteirinha, simplesmente não aceitam que o país tenha um governo de direita, que se proponha a dar uma guinada significativa nos rumos trilhados após a redemocratização sob o comando do PT e do PSDB.

Não tenha ilusão. Eles farão de tudo para sabotar um eventual governo Flávio, como fizeram com seu pai desde antes de sua posse. Na realidade, decorridos apenas nove dias do primeiro turno e antes mesmo que a eleição de Flávio seja confirmada, isso já está acontecendo.

Não é por acaso que muitas declarações de Flávio ou de alguém de sua campanha se tornam logo motivo de controvérsias na imprensa, colocando em xeque, desde já, a legitimidade de sua agenda e reforçando os efeitos negativos eventualmente gerados pelas fake news propagadas por Lula e pelo PT.

Se Flávio diz que pretende “redemocratizar” o país e promover mudanças na tal Constituição Cidadã, responsável em boa medida pela situação em que o Brasil se encontra, logo aparece um ex-presidente do STF afirmando que “reformar a Constituição não autoriza o vencedor das eleições a destruí-la”.

Quase ao mesmo tempo, como num jogral bem ensaiado, um respeitado jurista do país, que declarou seu voto em Lula, vem a público dizer que a eleição de Flávio vai colocar o Brasil no “caminho do precipício”. Um jornalão, por sua vez, publica um editorial com o título “Redemocratizar o quê, Flávio Bolsonaro?”, como se fosse um crime de lesa-pátria falar no assunto e defender reformas na Constituição e no Judiciário, para recolocar o STF em seu quadrado e proteger a sociedade dos abusos de Moraes e de outros ministros da Corte.

Se Flávio afirma que pretende acabar com a reeleição e eventualmente ampliar o mandato presidencial para cinco anos, logo pipocam também reportagens dizendo que isso seria uma manobra espúria e enfrentaria resistência do atual Congresso, já que a eleição é para um mandato de quatro anos. Detalhe: Flávio não falou que a medida valeria já para ele, caso confirme sua vitória nas urnas, e ele próprio disse que qualquer mudança neste sentido dependeria do Legislativo.

Num programa de TV, uma jornalista que já foi uma referência no jornalismo econômico do país, diz que a eventual eleição de Flávio representará um “risco à democracia”, diante da possibilidade de ele levar a cabo um “projeto autoritário” junto com o Senado, que terá maioria da oposição e poderá aprovar o impeachment de ministros do STF e outras medidas relevantes, junto com a Câmara.

Ao comentar as primeiras propostas econômicas divulgadas por Flávio e sua equipe de campanha, ela afirma que o que eles têm dito “não fica de pé”. Sobre a reação positiva dos investidores em decorrência da liderança de Flávio no primeiro turno, com a alta da Bolsa e as quedas dos juros futuros e do dólar, pontificou: “Ou ele está mentindo para o eleitor ou para o mercado financeiro”.

Se Flávio e seus auxiliares na campanha afirmam que pretendem rever aspectos da reforma tributária capitaneada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, não é diferente. Pouco importa que a reforma seja considerada por muitos como um frankenstein que vai complicar ainda mais a vida das pessoas e das empresas e colocará o Brasil no topo do ranking dos países com o maior imposto sobre o consumo do planeta, com alíquota estimada de 28%. Logo surge também um editorial de um jornal tradicional com o título “A reforma de que não precisamos”, bombardeando a proposta.

“Sombra tenebrosa”

Em paralelo, começaram também os questionamentos sobre o impacto que o perfil mais conservador do novo Congresso deverá ter sobre a pauta dos temas prioritários para o país. Nem bem terminou a apuração dos votos, outro veículo publicou um editorial intitulado “Novo Congresso traz risco de desmonte das leis ambientais”, ao analisar as propostas de flexibilização da legislação, ignorando o aval que será dado à agenda de Flávio caso ele vença o segundo turno.

No mesmo tom alarmista, o mesmo jornal publicou um artigo com o título “O Congresso e o futuro de nossos filhos” em que o autor, apresentado como “pediatra e sanitarista”, afirma que “os resultados do primeiro turno das eleições projetam uma sombra tenebrosa sobre os destinos da infância – e da sociedade brasileira”.

Como se pode observar, as fake news de Lula, do PT e de seus aliados são apenas parte da resistência de uma parcela da sociedade à eleição de Flávio e à sua agenda institucional, política, econômica e social. Se ele vencer o pleito, as mentiras de campanha ficarão para trás, enquanto as críticas ideológicas às suas propostas de mudança à direita, que muitas vezes roçam a sabotagem pura e simples, poderão minar seu governo.

As lições deixadas por seu pai, que teve de remar contra a corrente durante todo o mandato, apenas em parte em razão das dificuldades criadas por ele mesmo, são preciosas. Devem servir como uma bússola permanente para que Flávio consiga implementar a agenda que move sua candidatura, que terá o respaldo da maioria dos eleitores, se as urnas confirmarem o resultado do primeiro turno.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.