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José Pio Martins

José Pio Martins

Paixão pelo agressor

A Síndrome de Estocolmo e a política

hugo chávez síndrome de estocolmo
Venezuelanos homenageiam Hugo Chávez em manifestação em outubro de 2026. (Foto: Ronald Peña R./EFE)

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Em 23 de agosto de 1973, o mundo foi assombrado com o espetacular assalto ao Banco de Crédito, situado na Praça Norrmalmstorg, em Estocolmo, capital da Suécia. Esse evento trágico ganhou fama mundial em função de dois elementos. O primeiro deles foi a duração do assalto, que ocorreu de 23 a 28 de agosto. O segundo foi o que aconteceu depois e ficou conhecido como “Síndrome de Estocolmo”, nome de um distúrbio psicológico de graves consequências.

Depois de seis dias presas no interior do banco, sob ameaças, agressões e tortura psicológica, as vítimas apresentaram um comportamento assustador e revelador das loucuras de que a mente humana é capaz. Após as prisões, e nos processos judiciais que se seguiram, as vítimas começaram a demonstrar sentimento de apreço e afeição pelos criminosos, atitude que assombrou a polícia e os investigadores, e dificultou a apuração dos fatos.

Ao ver as vítimas agindo para não culpar os criminosos, o psicólogo Nils Bejerot, um especialista em criminologia, auxiliar da política durante o assalto, criou a expressão “Síndrome de Estocolmo” para nomear o vínculo psicológico entre os reféns e os bandidos.

A paixão por políticos ditadores que se tornam algozes da própria sociedade que os apoia é um caso evidente de Síndrome de Estocolmo

A Síndrome de Estocolmo tornou-se uma teoria sobre o que leva uma vítima de abuso, agressão e tortura a desenvolver afeto por seu algoz, como em casos de relacionamento abusivo em que, mesmo torturada e castigada, a vítima continua no relacionamento, por vezes demonstrando afeição por seu agressor.

Um caso famoso dessa doença é o de Patricia Hearst: sequestrada pelo grupo de extrema-esquerda Exército Simbionês de Libertação, após um assalto a banco em 1974, ao sair do cativeiro passou a viver com seus raptores e se tornou cúmplice em assalto a bancos.

A síndrome pode ser desenvolvida por vítimas de sequestro, sobreviventes de campos de concentração, pessoas mantidas em prisão domiciliar por familiares e outras situações similares. Aqui, também entra o comportamento de pessoas que desenvolvem paixão por políticos ditadores que se tornam algozes da própria sociedade que os apoia.

Dois casos sintomáticos de Síndrome de Estocolmo envolvem o socialista venezuelano Hugo Chávez e o revolucionário sanguinário Che Guevara – este último, um assassino cruel e impiedoso, que se tornou ídolo da juventude, reverenciado em camisetas e tatuagens.

Chávez teve apoio da população venezuelana durante um tempo, mesmo quando destruía o país e perseguia opositores com requintes de crueldade. Chávez nunca escondeu que queria transformar o país em um experimento socialista, com tudo que há de opressão e violência nesse tipo de regime. Durante algum tempo, tanto Chávez como Nicolás Maduro, seu sucessor, tiveram votos suficientes para serem eleitos. Mas, como é normal em toda ditadura, ao perder apoio popular eles passaram a fraudar o processo eleitoral.

Quanto a Che Guevara, que assassinava pessoas de próprio punho, basta ler o que ele disse em discurso na Assembleia Geral da ONU, no dia 11 de dezembro de 1964: “Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte”.

Hugo Chávez teve apoio da população venezuelana mesmo quando destruía o país e perseguia opositores com requintes de crueldade

O amor de vítimas por seus próprios algozes pode ser visto em países nos quais o povo segue elegendo políticos e governantes corruptos, que seguem mentindo e mantendo a população na pobreza, numa espécie de Síndrome de Estocolmo coletiva.

Em geral, maus políticos conseguem ser eleitos prometendo dar dinheiro aos pobres, oferecer creches e escolas gratuitas, transporte público de graça, tabelamento de preços e aluguéis, aumento de imposto sobre os ricos e um extenso cardápio de bondades. Quase sempre o resultado é atraso, pobreza e fuga de capitais, como agora se vê na cidade de Nova York, onde o prefeito socialista muçulmano Zohran Mamdani se elegeu prometendo em voz alta que faria um experimento socialista e acabaria com a pobreza.

As nações devem adotar políticas públicas conducentes à redução da pobreza e melhoria das condições de vida da população. Mas devem fazer isso sem destruir a economia e o espírito de iniciativa dos empreendedores. Nessa linha, vale lembrar as palavras do presidente Abraham Lincoln (1809-1865): um país não cria prosperidade desestimulando a poupança; não fortalece os fracos enfraquecendo os fortes; não ajuda os pequenos esmagando os grandes; não ajuda o assalariado arruinando aquele que o paga; não ajuda os pobres destruindo os ricos; não cria estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado; não evita dificuldades gastando mais do que ganha; não promove a fraternidade humana alimentando o ódio de classes; não forma o caráter e a coragem dos homens tirando-lhes a iniciativa e a independência; não ajuda os homens de maneira permanente se fizer por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si mesmos. Pense nisso!

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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