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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Golpe no globalismo

“Efeito Trump”: dobre de finados para agenda climática nos EUA

Com Trump de volta, EUA desmontam a agenda climática: desregulam energia, expõem o catastrofismo e esvaziam o motor do globalismo verde. (Foto: Craig Hudson/EFE/EPA/POOL)

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O retorno de Donald Trump à Casa Branca representou um golpe contundente na indústria do catastrofismo climático, que tem sido uma peça fundamental da agenda globalista prevalecente nas últimas décadas, privando-a do peso decisivo dos EUA, sem o qual ela estaria condenada ao fracasso.

Como dito em uma coluna anterior (“Trump e sua guerra contra o globalismo”, 02/09/2025), desde os primeiros dias no governo, Trump começou a desregulamentar e a reverter a maioria das diretrizes ambientais e energéticas promovidas por seu antecessor, Joe Biden, estabelecendo uma agenda energética que deixa de lado as tecnologias de geração eólica e solar, retira os incentivos à eletrificação acelerada da frota rodoviária e volta a privilegiar a exploração de carvão mineral e hidrocarbonetos, bem como as fontes nucleares e hidrelétricas, além de uma racionalização das normas ambientais para empreendimentos de infraestrutura e produtivos.

Sob pressão da nova administração, a Agência Internacional de Energia (AIE) abandonou seus prognósticos anteriores sobre um suposto pico da demanda de petróleo em 2030, uma das referências da indústria da “descarbonização” da economia, e já admite, em seu último relatório anual, que o consumo de hidrocarbonetos não deverá se reduzir antes de 2050.

No início deste mês, o governo Trump anunciou a revogação dos padrões federais de economia de combustível para veículos estabelecidos na gestão de Joe Biden para promover a expansão do uso de veículos elétricos. A norma estabelecia que, até 2031, os automóveis e caminhonetes leves produzidos nos EUA deveriam atingir níveis de consumo de combustível de 21 km/l. Com a mudança, a exigência passa a ser de 14,5 km/l, marca já bastante relevante, mas que retira a pressão sobre os fabricantes.

Dias depois, em uma ação de grande simbolismo, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) retirou de seu sítio qualquer menção às atividades humanas como causas das mudanças climáticas, atingindo de frente o pilar central da estrutura de crenças e narrativas que sustenta a indústria do catastrofismo ambiental. Corretamente, a explicação para os fenômenos climáticos passou a concentrar-se nas variações dos parâmetros orbitais da Terra, no albedo planetário, nos vulcões, na atividade solar e nas mudanças naturais das concentrações de dióxido de carbono (CO₂) atmosférico.

Em um comunicado, a porta-voz da EPA, Brigit Hirsh, foi categórica: “Esta agência não recebe mais ordens do culto ao clima” (Folha de S. Paulo, 09/12/2025).

Sem surpresa, o culto climático reagiu ferozmente.

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A ex-administradora da EPA, Christie Todd Whitman, disparou: “Falando francamente, nós parecemos ridículos. O resto do mundo entende que isso [as mudanças climáticas induzidas pelo homem] está acontecendo e está tomando medidas... E nós estamos andando para trás. Estamos batendo em nós mesmos de volta à Idade da Pedra” (Euronews, 10/12/2025).

Para Rachel Cleetus, diretora sênior de políticas do Programa de Clima e Energia da União dos Cientistas Preocupados (UCS): “Isso não é apenas sobre dados em um sítio: é um ataque à ciência independente e à integridade científica” (The Hill, 10/12/2025).

A recém-divulgada “Estratégia de Segurança Nacional 2025”, com a qual Trump apresenta ao mundo as diretrizes fundamentais de sua agenda política, parece representar o golpe de graça na agenda “verde”, ao menos no que toca à posição dos EUA. Nela, no item “domínio energético”, encontra-se o seguinte objetivo:

“Restaurar o domínio energético estadunidense (em petróleo, gás natural, carvão e nuclear) e trazer de volta os necessários componentes-chave energéticos é uma prioridade estratégica máxima. Energia barata e abundante produzirá empregos bem pagos nos EUA, reduzirá os custos para consumidores e negócios estadunidenses, alimentará a reindustrialização e ajudará a manter nossa vantagem em tecnologias de ponta, como a IA. Igualmente, expandir nossas exportações líquidas de energia aprofundará relações com nossos aliados, ao mesmo tempo em que reduz a influência de adversários, protege nossa capacidade de defender nossas margens e — quando e onde necessário — nos permitirá projetar poder. Nós rejeitamos as desastrosas ideologias das ‘mudanças climáticas’ e do ‘carbono líquido zero (Net Zero)’, que tanto têm prejudicado a Europa, ameaçado os EUA e subsidiado nossos adversários” [grifos nossos].

Não sei quanto ao caro leitor, mas, para mim, isso está se parecendo com um dobre de finados.

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