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1. Há 90 anos, em 6 de agosto de 1936, Nossa Senhora das Graças apareceu a duas jovens humildes, Maria da Luz e Maria da Conceição, em Cimbres, no agreste pernambucano. A Virgem — que respondeu a um rigoroso interrogatório teológico feito em alemão e latim pelo Padre José Kehrle — fez severos avisos e profecias sobre a ameaça comunista no Brasil e alertou sobre a ruína espiritual do país. O local das aparições, de onde brotou uma fonte de água, atrai até hoje multidões de peregrinos.
2. O Nordeste não pertence à esquerda nem à direita. O Nordeste não pertence a Lula nem a Flávio. O Nordeste não pertence a nenhum político, a nenhum homem, a nenhuma ideologia. O Nordeste brasileiro pertence a Deus. Foi lá, em 26 de abril de 1500, que se realizou o batismo da Terra de Santa Cruz, na Primeira Missa celebrada pelo Frei Henrique de Coimbra. Foi lá, em 19 de abril de 1648, que se travou a Batalha dos Guararapes, quando, pela primeira vez, uniram-se as três principais etnias do Brasil — portugueses, negros e índios — para enfrentar um inimigo externo. O Nordeste é o nosso berço, é a nossa pia batismal, é o nosso campo de batalha.
3. O Nordeste é nosso coração. Mas também é nossa alma: que seria de nosso país sem as vidas e as obras de Gilberto Freyre, Santa Dulce dos Pobres, Joaquim Nabuco, Oliveira Lima, Dom Vital, Padre Antônio Vieira, Castro Alves, Gonçalves Dias, José de Alencar, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge de Lima, João Ubaldo Ribeiro, Josué Montello, Ferreira Gullar, Ariano Suassuna, Herberto Salles, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Gregório de Matos, Elomar, Frei Caneca, Tobias Barreto, Silvio Romero, Graça Aranha, Capistrano de Abreu, Rui Barbosa, Visconde do Rio Branco, Augusto dos Anjos, Câmara Cascudo, Farias Brito, Jackson de Figueiredo, Clóvis Beviláqua, Humberto de Campos, José Lins do Rego, Ruy Espinheira Filho, Osman Lins, Barbosa Lima Sobrinho, Gilberto Amado, Evaldo Cabral de Mello, Maria Quitéria, Irmã Adélia (a menina Maria da Luz)?
4. Muitos dos gigantes citados acima tiveram de sair do Nordeste e construíram suas carreiras em outros lugares. Mas, conscientes dos imensos problemas sociais e do sofrimento do povo nordestino, jamais deixaram de lutar para que a miséria fosse minorada e jamais se esqueceram de suas origens, que traziam com orgulho.
5. Os nordestinos ajudaram a construir o Brasil com braço forte. Ao longo do tempo, porém, os donos do poder transformaram o Nordeste brasileiro em refém. Para continuar mandando, eles mantiveram os nossos irmãos nordestinos na miséria e no desamparo, chantageando o povo com a velha máxima dos tiranos: “Vocês me deixam roubar, eu deixo vocês sobreviverem”.
6. Mas chegou a hora da libertação. Chegou a hora do resgate civilizacional. Em todo o Nordeste, as pessoas estão acordando e veem a possibilidade real de sair do cativeiro criado pelos poderosos. As multidões pedem mudança e não acreditam mais nas velhas mentiras e no velho discurso do medo.
7. Nikolas Ferreira sintetizou o Grito de Independência do Nordeste no histórico vídeo em que colocou os próprios homens e mulheres do povo para falar a verdade. A esquerda tentou silenciá-los, mas foi aí que a mensagem ganhou mais força e atingiu milhões. Agora, até o silêncio grita: o Nordeste acordou. A fonte de água que brotou em Cimbres jorrará para a vida eterna.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



