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Há algo em comum entre a esquerda e a seleção argentina de futebol: ambas jamais aceitam uma derrota.
A esquerda perdeu a eleição na Argentina, perdeu a eleição na Bolívia, perdeu a eleição no Chile, perdeu a eleição na Colômbia, perdeu a eleição na Costa Rica, perdeu a eleição no Panamá, perdeu a eleição no Paraguai e perdeu a eleição no Peru. Isso significa que a esquerda foi derrotada na América Latina? Absolutamente não, porque a esquerda sabe que vitória eleitoral é uma coisa, e exercício do poder é outra.
A esquerda naufragou em várias eleições, mas a estrutura do movimento revolucionário, alimentada por organizações narcoterroristas e pelas ditaduras do Sul Global (China, Rússia e Irã), continua firme e forte. O relatório “Cuba: A capital do comunismo do século XXI”, publicado nesta semana pelo Departamento de Estado americano, comprova que a rede de apoio à esquerda segue em operação permanente.
Os objetivos centrais do movimento revolucionário, muito além de ganhar eleições, consistem em manter a concentração do poder nas mãos de uma elite mafiosa e exterminar as forças políticas inimigas. Poder efetivo e morte do adversário: eis o coração do projeto da esquerda, que segue em curso no Brasil do Regime PT-STF.
Se necessário, o chefão esquerdista da vez pode simplesmente acabar com as eleições, como anunciou o ditador Daniel Ortega nas festividades do 47º aniversário da Revolução Nicaraguense. Isso significa que não haverá mais votação na Nicarágua? Nada disso. Haverá, mas quem escolhe os candidatos, controla as opiniões e conta os votos é o próprio regime. Pode jogar futebol, só não pode fazer gol. Pode votar, só não pode eleger os inimigos do casal presidencial.
Em todas as ditaduras socialistas dos últimos 100 anos, sempre houve eleições: na União Soviética de Lênin e Stálin, na China de Mao, na Alemanha do bigodinho, no Camboja de Pol Pot, na Alemanha Oriental de Honecker e na Cuba de Fidel... O caso é que era simplesmente impossível votar na oposição, porque ela não existia. Nas raríssimas vezes em que os comunistas no poder perderam uma eleição — como na Assembleia Constituinte da Rússia, em 1918, e no referendo das armas, no Brasil, em 2005 —, o regime simplesmente ignorou o resultado e seguiu fazendo o que bem entendia.
O sonho de Lula, amigo e parceiro de Daniel Ortega (ambos surgiram no mesmo contexto revolucionário internacional do final dos anos 70), é repetir a eleição de 2002 — quando só havia candidatos de esquerda — ou retornar ao velho teatro das tesouras (em que “concorriam” a esquerda e a oposição de mentirinha dos tucanos).
Como já ensinava Platão, nos Livros IX e X d'A República, a alma tirânica é gestada no caldo da democracia.
Os esquerdistas adoram eleições, desde que não sejam livres. Eles defendem a democracia, desde que ela só confirme o domínio hegemônico da esquerda
É como disse Ortega no aniversário da Revolução: “Vamos erguer um muro, um bloqueio contra os golpistas, os traidores”.
Golpistas... Traidores... Percebam que Ortega usa a mesma linguagem de seu velho companheiro. Ambos compartilham, essencialmente, a mesma visão de poder, o mesmo ódio à liberdade, o mesmo espírito de rancor e vingança. Esse muro nós já conhecemos: é o Muro da Vergonha — mas os companheiros o batizaram de Barreira de Proteção Antifascista.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



