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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Fé cristã

Um padre esteve aqui: o santo visita o cronista

Padre Pio lembra que, diante da podridão do mundo, é preciso rezar, trabalhar, aceitar o sofrimento e amar. Mostra, assim, que a santidade é possível. (Foto: ChatGPT sobre foto de Elia Stelluto/Wikimedia Commons)

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Paulo, um padre esteve aqui. Eu informei que você havia saído, mas ele insistiu em deixar recado.

Ele disse que o inferno existe e não é um lugar que tem fogo: é um lugar que não tem perdão.

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Ajeitando o hábito, ele disse que os amigos de verdade continuam amigos mesmo na hora da divergência. Se um amigo o insulta por discordar de você, nunca foi amigo.

Cofiou a barba, o padre. Tinha um olhar profundamente bondoso um olhar que vem das profundezas da alma. Mostrou a mão ferida e exalou um odor de rosas como eu nunca havia experimentado antes. Era estranho, o padre. Estranho como as coisas mais importantes da vida.

Paulo, o padre disse que é preciso continuar rezando e trabalhando, porque o trabalho é tão importante quanto a oração. Melhor ainda: o trabalho é uma forma de oração.

Paulo, o padre disse que é preciso aceitar o sofrimento e a dor. Que é preciso confiar na vida eterna, beber as palavras do Evangelho e amar sempre, mesmo quando se critica o outro.

Quando for necessário criticar alguém, Paulo, vá em frente; mas coloque sempre umas gotas de doçura e compaixão nunca de veneno

Paulo, o padre disse para você não se preocupar com as coisas que não têm a mínima importância. Disse que Deus não tem rede social, mas que o diabo possui inúmeros perfis e seguidores. O inferno, por sinal, é um tipo de rede social sem amigos e sem perdão.

Paulo, o padre disse que andou lendo os poemas que Ungaretti escreveu na guerra e os que Adélia escreveu às duas da tarde em Divinópolis. Disse que passeou com você pelo calçadão da UEL e visitou a república de estudantes na Rua Humaitá, 143, mas você não o reconheceu.

Ele viu as flores amarelas caindo e a garota de olhos tristes enquanto você discursava numa assembleia geral do DCE, lá no Cine Teatro Ouro Verde, em 1990. Ele viu você erguer o dedo, Paulo. Ele estava com você no quartinho dos fundos, lendo Eliot e ouvindo Schubert.

Paulo, o padre disse que o maior milagre, diante de toda a podridão do mundo, é que a santidade continua sendo possível. Aliás, de que adianta ganhar as eleições, as discussões, o poder e perder a alma?

E mais não disse, Paulo, porque saiu à procura de outros pecadores. Só deixou este nome: Padre Pio.

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