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Caro diário! Quanto tempo. Eu estava decidida a nunca mais vir aqui e expor meu coração a você. Me xingam demais nos comentários. Mas aconteceram umas coisas aí e... não deu. Não resisti. Mas antes quero dizer que vi circulando por aí a notícia de que fui ao Instituto Butantã para doar veneno. É mentira, hein?! Fake news! Todo mundo sabe que meu veneno eu não doo; eu vendo. E vendo caro! E toda renda é revertida para uma ONG de amparo à Melhor Primeira Dama do Mundo. Isto é, moi.
Mas, como disse, aconteceram umas coisas aí. Ai, que vida loka!!!! Quem diria que eu, Rosângela, uma Da Silva qualquer lá de União da Vitória, no interior do Paraná, uma mera sociologazinha e militante do PT que sobrevivia a duras penas em cargos comissionados, um dia estaria diante do Leo? Como assim “que Leo”? O Leonado DiCaprio, meu sonho, meu ídolo, meu tudo! Nem prestei atenção ao que ele falou. Algum blábláblá ecológico. Só conseguia cantar baixinho que mai rarti uiu gol ôn. E imaginar o Lula me abraçando por trás na rampa do Planalto, dizendo que ele é o quingui ofi de uord. Imagina!
Joinha, joinha
Por falar em rei. Olha, que coisa tá acontecendo lá no STF, hein?! Fico aqui só pensando na Viviane. Tadinha. Tanta misoginia. Ela e a Rô. Machistas ¡no pasarán! Como se a Vivi não fosse uma adevogada boa o suficiente para fazer contrato de R$131 milhões com o Vorcaro. Além disso, como é que ela ia saber que um homem daqueles (!) era bandido? Só espero que ela não tenha que visitar o marido na cadeia, como eu tive. Aliás, falando no Alexandre... Que homem! Defendeu e ainda defende a democracia sozinho. Vou falar com a Gleisi. O PT precisa apagar ur-gen-te-men-te os tuítes que chamam o Alexandre de Moraes de fascista. Xande, tmj, parça!
Agora pra finalizar que estão me chamando. Eu sei, eu sei que você tá doidinho pra saber o que aconteceu lá no Ceará, durante a carreata do Meu Marido. E não, não foi pra impedir a pobre de tirar a máscara do Moacir, como andam dizendo. Só não gosto de pobre. De pobre e de crente como aquele André Mendonça lá. Me dá asco. Ainda mais quando pobre vem pegando e puxando e quase matando o Meu Marido. Pobre só serve pra votar. Sei que não posso dizer isso em público, que tenho que manter as aparências. Tenho que dizer que pobre é bonitinho e cheira bem. Mas diário é para essas coisas. Tá louco! Pobre agarrando Meu Marido daquele jeito. Num güentei. Mas agora tenho que ir mesmo. Joinha, joinha. Sua, Janja.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



