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Se tudo corresse dentro do previsto (mas jamais desejado), a esta hora você estaria lendo um texto satírico sobre a aprovação de Jorge Messias ao STF. Afinal, o Senado não rejeitava um indicado ao Supremo há nada menos do que 132 anos. “Por que desta vez seria diferente?”, perguntou-se o meu lado mais cínico. “Porque Alcolumbre é esperto demais ou porque Lula é fraco demais ou porque isso ou porque aquilo”, deveria ter respondido meu lado esperançoso.
Mas não respondeu. Ficou quietinho, o danado. O que me faz questionar a própria existência desse otimismo que cultivei cuidadosamente na última década. Mas que, diante dos tropeços da política (e da vida), foi definhando, definhando e... Bom, agora é torcer para que a rejeição de Jorge Messias pelo Senado seja a semente de um otimismo adubado por uma sucessão de boas notícias. Qual será a próxima? Será que o Lula desiste da reeleição?
Já pensou?
Seja lá o que for, mentirá quem não se disser surpreso com a rejeição ao nome de Jorge Messias, novamente reduzido à sua condição de Bessias. O que vai acontecer a partir de agora é uma enorme incógnita na qual o adiantado da hora não me permite chafurdar. Uma coisa, porém, é fato: Davi Alcolumbre mostra os dentes tanto para o Executivo quanto para o Judiciário e, ao menos momentaneamente, se revela como o homem mais poderoso do Brasil. Afinal, basta a vontade dele para que um ministro do STF sofra impeachment. Já pensou?
Antes que me empolgue, porém, convém deixar registrado que não me escapam as lições do episódio: a mentira nem sempre vence; atos têm consequências; nem toda bajulação e submissão ao ideário do Partido é recompensada. E, finalmente, há beleza na esperança genuína, por mais ridícula e insensata que ela possa parecer à primeira vista. Dito isso, agora estou acreditando até no hexa e, por que não?, na prisão iminente de Alexandre de Moraes. Vai ser divertido.








