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Domingo, temos um encontro com o nosso destino. Uma oportunidade de dizer, nas urnas, aquilo que milhões de brasileiros estão cansados de repetir em casa, no trabalho, nas conversas entre amigos: chega! Este país é nosso.
Ninguém suporta mais a criminalidade. O crime organizado que se espalha pelo país, as ruas inseguras, os furtos que já nem são registrados porque ninguém acredita que alguma coisa será feita. Chega de aceitar que homicidas andem livres pelo país. Chega de impunidade. Chega de sair de casa com medo, de esconder o celular dentro do ônibus, de andar olhando para os lados, de mudar os próprios hábitos porque o Estado não consegue cumprir sua obrigação mais elementar: proteger o cidadão.
Chega de viver com medo. Não, ninguém espera que a troca de um presidente possa resolver magicamente a segurança pública brasileira. Mas a complacência é uma das causas do avanço do crime no Brasil. Quando o maior mandatário do país justifica o roubo do celular “para tomar uma cervejinha”, ou defende a saidinha do preso em vez da liberdade dos cidadãos de bem, isso se reflete nas ruas.
Chega de ter medo de falar. De expressar uma opinião e se perguntar se ela poderá trazer consequências. De depender do humor de um juiz, da simpatia de uma autoridade ou da corrente política de um promotor. Chega de censura, de intimidação e da ideia absurda de que a liberdade de expressão depende da autorização de quem governa ou passou num concurso.
Ninguém espera que a troca de um presidente possa resolver magicamente a segurança pública brasileira. Mas a complacência é uma das causas do avanço do crime no Brasil
Chega de gastança com nosso dinheiro. De dinheiro público jogado fora, dos privilégios preservados, das mordomias pagas por quem trabalha. Chega do deboche com o pagador de impostos, como se o dinheiro do Estado não tivesse dono. Como se fosse possível gastar sem limite, criar despesas sem responsabilidade e, depois, mandar a conta para o brasileiro pagar. O povo se arrebenta para pagar – e paga imposto em tudo: no consumo, na propriedade, na renda, em tudo! Chega!
E chega, sobretudo, de fazer piada com a cara do pobre.
Anunciam canetinhas para emagrecer pelo SUS enquanto faltam exames, faltam equipamentos, faltam médicos, faltam condições para atender quem está doente. O cidadão espera meses por uma tomografia, não consegue fazer um raio-X quando precisa, enfrenta filas intermináveis para descobrir o que tem e, às vezes, espera tanto pelo tratamento que já não há tempo a perder.
Mas o governo anuncia mais uma promessa. Mais uma manchete. Mais uma solução milagrosa. Dará a picanha e o Mounjaro. Em breve, bolsa cervejinha. Saúde. Isso não é política social. É deboche e desprezo.
Chega de fazer quem trabalha pagar a conta de um governo que não conhece limites para gastar. O dinheiro que falta no bolso de quem se empenha sobra na máquina pública. O sacrifício exigido do cidadão contrasta com a facilidade com que Brasília esbanja o dinheiro dos outros. Jatinho pra cá, uísque pra lá. A inflação, os impostos e os juros não são abstrações econômicas: são menos comida na mesa, menos oportunidades para os filhos, menos tranquilidade no fim do mês.
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E chega de corrupção. De escândalo atrás de escândalo, de explicação atrás de explicação, de amiguinhos superpoderosos que parecem acreditar que nada lhes acontecerá. É lobista para cá, ministro envolvido para lá, suspeitas que se acumulam, investigações que se arrastam. Até o dinheiro dos aposentados, de quem trabalhou a vida inteira e depende de cada centavo para sobreviver, virou alvo de esquemas criminosos.
É preciso chamar as coisas pelo nome: estão roubando o brasileiro. Roubam seu dinheiro. Roubam seu tempo. Roubam sua segurança. Roubam sua confiança nas instituições. E ainda esperam que ele aceite tudo com resignação, vote para manter tudo assim, como se não houvesse alternativa. Pois há.
A urna é a oportunidade de dizer “não”. De mostrar que o país não pertence a um partido, a um governante, ou ao grupinho do sistema. O país pertence aos brasileiros que trabalham, empreendem, estudam, criam seus filhos, pagam seus impostos e tentam viver honestamente.
É por eles que precisamos votar. Por nós. Pelos nossos filhos. Pelo direito de viver em um país onde a lei valha para todos, onde o cidadão não tenha medo do criminoso nem da autoridade, onde o dinheiro público seja tratado com respeito e onde trabalhar honestamente volte a ser suficiente para viver com dignidade.
Neste domingo, temos uma oportunidade de dizer que não nos acostumamos à violência, à corrupção, à censura, ao desperdício e à impunidade
Não se trata de entregar um cheque em branco a ninguém. Não se trata de trocar uma devoção política por outra. Quem está indignado hoje deverá continuar vigilante amanhã. Democracia não é escolher um senhor para depois obedecer em silêncio. É poder escolher, cobrar, fiscalizar e, quando necessário, mandar embora.
Mas, neste domingo, temos uma oportunidade. Uma oportunidade de dizer que não aceitamos a normalização do absurdo. Que não nos acostumamos à violência, à corrupção, à censura, ao desperdício e à impunidade. Que o Brasil pode ser diferente e que não estamos condenados a assistir, passivamente, à deterioração do país que amamos.
Domingo, vá votar. Leve consigo a indignação de quem não aguenta mais, mas também a esperança de quem ainda acredita que vale a pena trabalhar. Vote por sua família, por sua liberdade, por seu trabalho e por seu futuro. Vote para que os seus filhos não precisem aceitar como normal aquilo que a sua geração deveria ter enfrentado.
E, acima de tudo, vote para lembrar aos que se sentaram sobre o trono do poder uma verdade que jamais deveriam esquecer: paciência tem limite. Nós não existimos para sustentá-los.
Este país é nosso. E domingo nós podemos começar a retomá-lo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Ricardo Gomes é CEO do Instituto Millenium. Foi vice-prefeito de Porto Alegre (2021-2024), onde também cumpriu mandado como vereador e foi secretário de Desenvolvimento Econômico. Foi presidente do Instituto de Estudos Empresarias (IEE) e da Rede Liberal da América Latina. É advogado e consultor. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



